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Uso de mídias e tecnologias na escola não pode ser improvisado

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Autor Bruno Ferreira Assessor pedagógico Sobre o autor

Recursos midiáticos e digitais devem permanecer na educação pós-pandemia com o aprimoramento da reflexão sobre a intencionalidade do seu uso

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📸: Prostoolen|Freepik

O contexto de distanciamento social provocado pela pandemia de Covid-19 fez com que a educação acelerasse a adesão aos recursos digitais, embora de forma desigual e um tanto improvisada, em razão da situação de emergência.

Segundo levantamento realizado pela União Nacional de Dirigentes Municipais de Educação (UNDIME), no primeiro ano da pandemia, 5,5 milhões de estudantes brasileiros tiveram acesso às atividades escolares dificultado. Parte disso deve-se, certamente, à restrição de acesso à internet, relatada por mais de 78% dos estudantes brasileiros.

Apesar disso, o uso de mídias e tecnologias nas práticas pedagógicas dos últimos dois anos representa uma forma de resistência das redes de ensino, uma vez que sem essa apropriação – ainda que improvisada -, ensinar e aprender, no contexto da educação formal, não teria sido possível.

A pandemia tornou as práticas pedagógicas ainda mais complexas, impondo novas modalidades, como o ensino híbrido que, apesar de não ser novo do ponto de vista teórico, se popularizou rapidamente, tornando-se corriqueiro no cotidiano de estudantes e profissionais de educação. 

Mas não é por isso que ensinar a partir das mídias e das tecnologias é uma urgência nesta terceira década do século 21. Hoje, o letramento digital e midiático é necessário sobretudo pelas complexidades do mundo conectado, intensificadas  desde o fim dos anos 1990.

Nos dias atuais, os recursos virtuais e digitais integram um complexo ecossistema comunicativo a partir do qual não apenas disputam-se sentidos e forma-se opinião, mas principalmente desenvolve-se novas habilidades, uma vez que a nossa relação com as mídias e recursos digitais tem sido cada vez mais ativa, pois nos apropriamos deles para a autoexpressão e para os relacionamentos interpessoais.

Seu uso em sala de aula, porém, não pode ser intuitivo nem improvisado. Deve ser um processo intencional e refletido, a fim de fortalecer o ensino e a aprendizagem. Nesse sentido, é importante formar professores para que sejam capazes de tirar proveito dos conteúdos midiáticos e de recursos tecnológicos para aproximá-los dos objetivos dos currículos, tornando as aulas mais significativas. 

Assim, é preciso prepará-los para realizar curadoria crítica de conteúdos disponíveis no ambiente digital, pois na era da superabundância de informações avaliar a relevância e a confiabilidade do que está na internet é uma tarefa bastante desafiadora. Além disso, é importante que docentes conheçam as mídias para incentivar os estudantes a interrogar a informação que consomem, a refletir sobre o propósito do que produzem e difundem nas plataformas digitais e, ao mesmo tempo, para legitimar e incorporar os hábitos culturais das crianças e adolescentes, acostumados a criar e compartilhar mensagens, sobretudo nos momentos de lazer e para “zoar” os amigos nas redes sociais.

É importante lembrar que a demanda por letramento digital e informacional de educadores está prevista na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento que orienta a elaboração dos currículos das redes de ensino. A BNCC determina o desenvolvimento de competências relacionadas à comunicação, à cultura digital, à argumentação e ao pensamento científico, crítico e criativo logo na educação básica. 

Em diálogo com essa diretriz, é importante que a educação midiática e digital seja entendida como camada, o que significa integrá-la transversalmente a qualquer disciplina ou ciclo, além de reforçar a intencionalidade no uso de mídias em sala de aula, orientando professores a planejar um processo de ensino e aprendizagem permeado por hábitos de investigação e habilidades de expressão característicos das mídias.

É nessa perspectiva que o EducaMídia, programa de educação midiática do Instituto Palavra Aberta, formou desde 2019 15.000 educadores de 1.128 municípios brasileiros de todos os Estados e do Distrito Federal para que estes possam liderar a implementação da educação midiática em seus contextos escolares. Em abril deste ano, um novo grupo de professores multiplicadores da educação midiática começará a ser formado. Para fazer parte desse processo de transformação, educadores podem obter mais informações e se inscrever em www.educamidia.org.br

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Bruno Ferreira

Assessor pedagógico

Jornalista e professor. Mestre em Ciências da Comunicação e especialista em Educomunicação pela ECA/USP. Possui licenciatura em Educação Profissional de Nível Médio, pelo IFSP. Atuou como professor de Comunicação e Desenvolvimento Social, no Senac-SP, como consultor de alfabetização midiática e informacional da UNESCO e formador de professores de redes públicas de ensino.

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