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Professores e mídias: um belo caminho (a ser) trilhado

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Autor Bruno Ferreira Coordenador pedagógico Sobre o autor

Criticidade docente em torno dos desafios informacionais deve ser celebrada, embora ainda seja necessária uma formação prática

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Com a chegada do Dia dos Professores, comemorado anualmente em 15 de outubro, é preciso reconhecer a relevância desses profissionais, cada vez mais demandados à medida que a sociedade complexifica seus processos, tornando o exercício da cidadania mais desafiador. 

Novos fenômenos, que vêm preocupando diferentes setores da sociedade, recaem sobre a educação, muitas vezes, como urgências. Estas, no entanto, não são nem podem ser executadas do dia para a noite, sem o devido aprofundamento e reflexão que, diferentemente das lógicas de produção e disseminação de conteúdos nas plataformas digitais e redes sociais, levam tempo.

Apesar das críticas à qualidade da educação, sobretudo com relação à tardia incorporação de tecnologias em seus processos pedagógicos, o que aconteceu de modo mais efetivo, embora forçado, durante a pandemia, professoras e professores já demonstram um importante alinhamento com relação aos princípios e valores democráticos e cidadãos que devem orientar práticas de educação digital e midiática na escola.

Dados da mais recente pesquisa TIC Educação 2022, conduzida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), mostram que 89% dos docentes afirmam ter realizado atividades com suas turmas sobre temas como problemas de saúde física e mental causados pela internet (67%); exposição digital, assédio ou disseminação de imagens sem consentimento (71%); cyberbullying, discurso de ódio e discriminação (76%); e “fake news” e compartilhamento responsável de conteúdos e opiniões (78%).

Outros dados empíricos vão na mesma direção. Desde o primeiro semestre deste ano, educadores ingressantes na formação de multiplicadores do EducaMídia, programa de educação midiática do Instituto Palavra Aberta, realizam um teste de dez questões, a partir do qual seu repertório prévio sobre o tema é avaliado. O mesmo questionário é respondido ao fim do percurso, com os cursistas que seguem para a segunda etapa da formação, de caráter criativo, em que devem desenvolver um projeto de aplicação prática de educação midiática em seus contextos. 

Em duas edições da pesquisa foi possível constatar o mesmo perfil de professores: um domínio das perspectivas didáticas e pedagógicas que devem balizar o ensino de mídias e cultura digital, alinhamento quanto à educação midiática como um direito e acerca dos princípios e conceitos fundamentais da liberdade de expressão. As questões relacionadas a esses temas apresentaram entre 84,9% e 97,2% de acertos na avaliação inicial. 

No entanto, as principais debilidades desses docentes ainda recaem sobre a conceituação da desinformação e das “fake news”, bem como a dificuldade operacional desses profissionais em verificar a confiabilidade de informações e de diferenciar as intencionalidades das mensagens de mídia. Nesse quesito, os acertos oscilam entre 27,5% e 41,9%.

Diante disso, podemos concluir que professores já entendem os fundamentos das mídias e das tecnologias e de que modo estas devem integrar as práticas pedagógicas, a fim de formar cidadãos críticos para um uso ético e democrático dos recursos midiáticos e digitais, o que representa um importante avanço na qualidade da educação.

Falta, no entanto, aprofundar conceitos-chave que já permeiam as relações socioculturais da contemporaneidade, como desinformação e, certamente, a emergência de novas formas de inteligência artificial, temas que devem fazer parte, daqui em diante, de múltiplas iniciativas de letramento midiático e informacional de educadores brasileiros, tanto em sua formação inicial, nas licenciaturas, quanto na formação continuada.

Ao mesmo tempo em que reivindicamos a formação de crianças e jovens para os desafios do século XXI, é preciso que a sociedade e o poder público comprometam-se também com os professores, que lidam com mídias e informações em seu cotidiano. Por isso, também têm o direito de ampliar seu repertório para lidar criticamente com as complexidades da informação não apenas como intermediários entre as demandas sociais e o público infantojuvenil, mas sobretudo na condição de cidadãos e de sujeitos de direito que são.

Foto: Giovanna Cornelio/Pixabay

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Bruno Ferreira

Coordenador pedagógico

Jornalista e professor. Mestre em Ciências da Comunicação e especialista em Educomunicação pela ECA/USP. Possui licenciatura em Educação Profissional de Nível Médio, pelo IFSP. Atuou como professor de Comunicação e Desenvolvimento Social, no Senac-SP, como consultor de alfabetização midiática e informacional da UNESCO e formador de professores de redes públicas de ensino.

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