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Combater a desinformação também é uma tarefa individual

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Autor Mariana Mandelli Coordenadora de comunicação Sobre o autor

Precisamos adotar uma postura menos passiva e mais estratégica frente às “fake news” nas eleições

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📸: freepik

Com o início oficial da campanha eleitoral, as timelines foram tomadas por fotos, vídeos e memes sobre os candidatos e candidatas, transformando em realidade a promessa de caos informacional que se avizinhava desde janeiro. Entramos em um momento em que é praticamente impossível passar incólume aos conteúdos políticos, e a repercussão viral das entrevistas realizadas nesta semana pelo Jornal Nacional com os pleiteantes à Presidência da República é apenas um exemplo do que as próximas semanas devem nos reservar.

Também chegamos a um ponto em que o voto deixou de ser secreto: é fácil saber em quem nossos familiares, amigos e colegas de trabalho votarão (ou pelo menos em quem jamais votariam), pois muitos sentem a necessidade de se posicionar e de participar ativamente da guerra de narrativas que vem se intensificando nas plataformas digitais desde 2018. Nesse movimento, é interessante observar um paradoxo: ao passo que eleitores e eleitoras mostram-se cada vez mais parte do processo eleitoral por meio do que curtem, comentam e compartilham nas mídias sociais, há também uma passividade, consciente ou inconsciente, em relação à disseminação de desinformação.

Em outras palavras, na pressa de demonstrar especialmente rejeição a determinados candidatos e propostas, dá-se ainda mais espaço e voz a tais discursos e projetos, mesmo que por meio de memes ou sátiras. E, em meio a isso, em vez de se combater a desinformação, acabam por disseminá-la ainda mais, elevando certos temas e políticos aos assuntos mais comentados nas redes.

Dados recentes divulgados pelo Poynter Institute, centro referência nos estudos sobre jornalismo e desinformação, mostram que 44% dos brasileiros e brasileiras afirmam receber “fake news” diariamente e 43% confessam ter repassado mentiras sem intenção. Provavelmente esses percentuais devem ser ainda maiores se pensarmos que detectar conteúdos mentirosos não é uma tarefa simples, pois há uma infinidade de formatos, dos mais discretos aos mais escandalosos, em que os fatos são distorcidos. 

Os próprios memes são um exemplo: mesmo que compartilhados de forma espirituosa, podem não ser interpretados assim por quem os recebe. E é essa consciência que nós, eleitores, precisamos desenvolver na hora de engajar posts dos políticos que disputam cargos neste pleito eleitoral. Participar da democracia vai além do voto e, em tempos ultraconectados, combater a desinformação política de uma perspectiva individual também se faz necessário.

Portanto, interrogar as informações com que nos deparamos nos noticiários e nas mídias sociais não deveria ser uma opção, mas uma espécie de tarefa cidadã. Questionar contexto, data, autoria e tom das mensagens; prestar atenção na linguagem e na disposição das imagens; verificar se há monetização e chamados à ação implícitos ou explícitos, e recorrer a fontes confiáveis deveriam ser hábitos de todos e todas que comparecerão às urnas em outubro. 

O site e os canais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estão repletos de materiais para apoiar os cidadãos e cidadãs nesse processo, municiando o eleitorado com conteúdos em praticamente todas as plataformas. Entre as iniciativas do terceiro setor, vale citar o projeto Fake To Fora – Quem Vota se Informa, do Instituto Palavra Aberta, voltado para a educação midiática e política dos jovens que votarão pela primeira vez neste ano. A iniciativa conta com uma campanha recém-lançada que brinca com a ideia do VAR (Video Assistant Referee), equipamento usado no futebol para checar lances, incentivando a audiência a sempre “Verificar Antes de Repassar” as informações que recebe.

Precisamos ser mais estratégicos e menos passivos (e passionais) na nossa atividade online, especialmente num período eleitoral com promessa de tanta turbulência. Há uma frase do pesquisador e professor da Universidade de Stanford Sam Wineburg que se refere aos Estados Unidos mas que serve perfeitamente para o contexto brasileiro: “Nossa democracia depende do acesso a informações confiáveis. E a internet é cada vez mais onde vamos procurá-las.” Portanto, também cabe a nós uma postura ativa no engajamento dos fatos e, consequentemente, no fortalecimento das instituições democráticas.

 

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Mariana Mandelli

Coordenadora de comunicação

Mariana Mandelli é coordenadora de comunicação do Instituto Palavra Aberta.

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