Carregando...
— Colunas e Artigos

Sociedade conectada tem novas práticas de ensinar e aprender

Foto de Mariana Mandelli
Autor Mariana Mandelli Coordenadora de comunicação Sobre o autor

Afinal, na prática, o que é um aluno midiaticamente educado?

Imagem de destaque do post

Muito se falou nas últimas décadas sobre o impacto que as novas tecnologias teriam no ensino, e uma das suposições mais comentadas era a possibilidade de que computadores substituíssem, em um futuro não tão distante, o professor em sala de aula. Apesar do boom da educação a distância e de outros modelos educacionais que hoje funcionam por conta dos avanços digitais, a verdade é que o docente não perdeu seu papel fundamental no processo de educação das crianças e jovens – na realidade, ele nunca foi tão importante.  

Isto porque, no mundo conectado, a responsabilidade do professor aumenta ainda mais. Se a informação e o conhecimento estão por toda parte, como mostrar aos alunos o que realmente importa? Reformulando um pouco essa pergunta, a questão na verdade é: o que esperar de um estudante midiaticamente educado e, claro, de um educador bem formado para preparar esse aluno para lidar com a avalanche de notícias, textos, imagens e dados que o cercam?

Algumas dessas questões apareceram no podcast do Folha na Sala de 1 de outubro, que discutiu o desafio de se falar de “fake news” na escola, contando casos de professores que conseguiram incluir o assunto nas atividades curriculares. Entre os depoimentos apresentados no podcast, há a fala de uma pesquisadora que chama a atenção para a necessidade de se instituir uma política nacional de educação midiática que estabeleça parâmetros para o ensino e apoio aos educadores para lidarem com o tema. 

A boa notícia é que o Brasil tem a vantagem de contar com Base Nacional Comum Curricular (BNCC), um grande um avanço – e também uma ótima oportunidade – em termos de estabelecimento de parâmetros nacionais para o tema. Como se sabe, no documento, que descreve os objetivos de aprendizagem dos alunos da educação básica, a educação midiática tem grande presença nos conteúdos de língua portuguesa, além de ser apresentada como tema transversal em outras disciplinas. 

É preciso reforçar a importância da Base e da inclusão do campo jornalístico midiático porque mesmo nos países onde a discussão da educação midiática está mais adiantada, como é o caso dos Estados Unidos, não há nenhum tipo de diretriz nacional  – até agora, apenas três estados incluíram o tema em seus currículos.

Transformar a BNCC em realidade na sala de aula ainda é um grande desafio no Brasil inteiro, uma vez que nosso país é extenso e bastante desigual. Porém, as experiências mundo afora dão pistas de como isso pode acontecer, e o EducaMídia, programa de educação midiática do Instituto Palavra Aberta, debruçou-se sobre estudos, pesquisas, planos e outros materiais para reunir insumos importantes para instituir essa prática na sala de aula. Todos esses materiais apontam no sentido de repensarmos as habilidades de ler, escrever e participar da sociedade digital com mais criticidade e responsabilidade. 

Assim, para conduzir o aluno por essa trilha, o educador precisa:

  • explorar novas abordagens pedagógicas proporcionadas pelas tecnologias de informação e comunicação, pensando em como incluí-las no dia a dia escolar – ou seja, se o conhecimento também passa pelo ambiente digital, é preciso saber como incluir um meme, por exemplo, em uma aula de análise e interpretação de texto; 
  • incentivar uma cultura de aprendizagem que estimule a curiosidade e o aprendizado contínuo, fazendo com que sua turma entenda que a relação com o conhecimento e as mídias não é algo estanque, mas que se movimenta, assim como as tecnologias também evoluem; 
  • facilitar a aprendizagem de maneira significativa, fazendo uso de recursos diversos de mídia, sejam eles analógicos, como jornais e revistas, ou digitais, como celulares e tablets;
  • guiar os alunos para práticas éticas, legais e seguras no ambiente digital e fora dele, estimulando experiências engajadoras que levem os estudantes a participar e contribuir para a sociedade de maneira crítica e responsável, respeitando opiniões diversas e evitando práticas como cyberbullying e exposição a boatos e outras práticas típicas da desinformação. 

Isso nos leva a finalmente responder a pergunta sobre o que é um jovem midiaticamente educado. Em termos gerais, esse aluno deve:

  • saber analisar de forma crítica os textos de mídia em qualquer formato, dos impressos à internet, diferenciando os gêneros jornalísticos e publicitários (artigo, reportagem, editorial, memes, post patrocinados etc), desconfiando da origem das informações em redes sociais e checando a veracidade dos dados que recebe;
  • compreender como usar os mecanismos de busca, curadoria e produção de conhecimento, manuseando essas ferramentas de pesquisa online e offline de modo a construir seu próprio aprendizado de modo autoral e significativo; 
  • saber acessar um amplo leque de ferramentas digitais e ter flexibilidade para encontrar e adaptar-se a novas ferramentas, que não param de surgir a todo momento: gadgets, aplicativos, jogos e outros;
  • aplicar todo esse conhecimento do ambiente informacional e midiático para solucionar problemas, para o exercício da cidadania e para a autoexpressão, de forma ética e responsável.

Em linhas gerais, educação midiática nada mais é do que formar cidadãos para um mundo conectado. As crianças e os jovens precisam entender que ser cidadão hoje implica em respeitar a diversidade dentro e fora da internet, e que essas duas dimensões são inseparáveis. Um aluno midiaticamente educado se torna um cidadão apto a exercer a sua cidadania e liberdade de expressão em todas essas dimensões. 

 

Imagem de John Schnobrich por Unsplash

Foto de Mariana Mandelli

Mariana Mandelli

Coordenadora de comunicação

Mariana Mandelli é coordenadora de comunicação do Instituto Palavra Aberta.

Voltar ao topo
FAÇA
PAR—
TE

Venha para nossa rede de educação midiática!
Fique por dentro das novidades

Receba gratuitamente nossa newsletter

Siga nossas redes sociais

Que tal usar nossa hashtag?

#educamidia