Carregando...
— Colunas e Artigos

Professores são fundamentais na defesa da democracia

Foto de Mariana Mandelli
Autor Mariana Mandelli Coordenadora de comunicação Sobre o autor

Educadores e educadoras são mediadores do conhecimento e precisam ser compreendidos como peças-chave num sistema democrático

Imagem de destaque do post

A notícia de que uma professora de educação básica de Ponta Grossa (PR) foi demitida por fazer uma saudação nazista viralizou nas redes sociais nos últimos dias. No vídeo, é possível ver uma mulher branca com uma bandeira do Brasil realizando o gesto em sala de aula, na frente de alunos e alunas. As imagens são chocantes não apenas por serem uma demonstração explícita e criminosa de ódio, mas também por ocorrerem em ambiente escolar, onde esperamos que educadores e educadoras formem crianças e jovens com base em princípios cidadãos e democráticos.

De acordo com a atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei Nº 9.394 de 1996), legislação que norteia o funcionamento de todo o sistema educacional brasileiro, o ensino deve se basear no pluralismo de ideias, no respeito à liberdade, no apreço à tolerância e na diversidade étnico-racial. Além disso, estabelece que os conteúdos curriculares da educação básica devem “difundir valores fundamentais ao interesse social, aos direitos e deveres dos cidadãos, de respeito ao bem comum e à ordem democrática”.

Ou seja, a LDB é orientada por valores incompatíveis com o nazismo, o fascismo e demais ideologias cujos preceitos orientam-se por ultranacionalismo, autoritarismo, eugenismo e racismo. Parece absurdo afirmar isso, mas vivemos em tempos em que o óbvio precisa ser resgatado, reafirmado e divulgado. Também conhecida como Lei Darcy Ribeiro, a LDB de 1996 foi pensada num momento em que se discutia os rumos do Brasil após duas décadas de ditadura. Que país queremos ser? Na resposta para essa pergunta estava o ensino e aprendizagem de crianças e jovens. Assim, em consonância com a então aprovada Constituição Cidadã, construiu-se uma ideia de educação pública, gratuita e democrática.

Hoje, é na sala de aula que crianças e jovens têm seus primeiros contatos com opiniões, discursos e valores diferentes do que ouvem em seus lares e em outros espaços de socialização, como igrejas e equipamentos de lazer. É na escola que está garantido o direito à diversidade e à pluralidade de visões de mundo para formarmos cidadãos e cidadãs, e quem deve mediar esse processo são justamente os professores e professoras, figuras centrais mas tão pouco valorizadas social e politicamente, na contramão do que nossos dispositivos legais demandam.

Educadores e educadoras devem, portanto, ser compreendidos como peças-chave num sistema democrático. Para isso, precisam de políticas públicas que fortaleçam demandas antigas da classe, como melhores salários e condições de carreira e trabalho, em níveis municipal, estadual e federal. E, para que formem crianças e jovens responsáveis e conscientes de seus direitos e deveres, necessitam também ser formados para tanto.

Diversas pesquisas apontaram, ao longo dos anos, os problemas crônicos da formação de professores no Brasil, e se a distância entre o que é oferecido nos cursos de Pedagogia e o que acontece em sala de aula já era enorme, é fato que se alargou ainda mais num cenário conectado e pandêmico, com tantas desigualdades socioeconômicas. Mitigar esse abismo é urgente para a qualidade da educação brasileira.

Professores não serão substituídos por máquinas; eles são essenciais num mundo onde a informação parece abundante, mas nem sempre é confiável. São eles que orientam crianças e jovens no desenvolvimento de habilidades e competências que garantirão autonomia, pensamento crítico, fluência digital e participação cívica num contexto permeado pelo que nos acostumamos a chamar de “fake news”, teorias conspiratórias e conteúdos antidemocráticos.

Em um momento tão crítico como o que vivemos no Brasil, em que direitos garantidos há décadas são distorcidos em prol de desinformação e discursos de ódio disfarçados de liberdade de expressão, cabe também à escola e aos educadores enfrentarem esses desafios. É nesse ambiente acolhedor e seguro que crianças e jovens poderão construir sua noção de cidadania, abertos ao diálogo e à conciliação.

Foto de Mariana Mandelli

Mariana Mandelli

Coordenadora de comunicação

Mariana Mandelli é coordenadora de comunicação do Instituto Palavra Aberta.

Voltar ao topo
FAÇA
PAR—
TE

Venha para nossa rede de educação midiática!
Fique por dentro das novidades

Receba gratuitamente nossa newsletter

Siga nossas redes sociais

Que tal usar nossa hashtag?

#educamidia

Utilizamos cookies essenciais para proporcionar uma melhor experiência. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de privacidade.

Política de privacidade