Redução das emissões de gases de efeito estufa, adaptação às mudanças climáticas, tecnologias de energia renovável e soluções de baixo carbono, preservação de florestas e biodiversidade. A 30ª Conferência do Clima da ONU (COP30), realizada no Brasil a partir desta semana, ocupa o noticiário, as redes sociais e as conversas nas escolas com seu vocabulário específico e a urgência dos temas em discussão.
Mas, nos bastidores, há um tema que nem sempre é explícito e tem papel fundamental em qualquer debate sobre o futuro do planeta: integridade da informação. Enfrentar as mudanças climáticas que ameaçam nossa existência depende também de enfrentar a desinformação, as teorias de conspiração e o negacionismo científico — e este é um esforço que cabe a todos nós, a todo momento.
A internet garantiu a circulação de um volume quase inesgotável de informações. Por um lado, temos acesso a dados e séries históricas de pesquisas sobre o clima, as florestas e a poluição, especialistas que nos ajudam a entender melhor os desafios climáticos, notícias dos quatro cantos do mundo. Por outro, no entanto, também estamos expostos a fake news, campanhas de desinformação e outros conteúdos que buscam deslegitimar os esforços para controlar o aquecimento global.
A maneira como consumimos e produzimos informações sobre o clima é um ingrediente fundamental dessa luta. Daí a relevância da Iniciativa Global para a Integridade da Informação sobre Mudança Climática da ONU, lançada em 2024. Trata-se de uma coalizão de países e organizações internacionais com a missão de fomentar um ambiente informacional que favoreça a circulação de informações íntegras, confiáveis e fundamentadas em evidências sobre a mudança do clima.
No Brasil, a Rede de Parceiros pela Integridade da Informação sobre a Mudança do Clima integra essa iniciativa. É composta por mais de cem organizações da sociedade civil, universidades e grupos de pesquisa brasileiros, incluindo o Instituto Palavra Aberta, e, entre outras frentes, aposta na educação midiática como caminho para a construção de um ambiente digital mais confiável.
Outras ações recentes mostram preocupação sobre como as informações moldam nossa visão do mundo e, portanto, podem incentivar ou atrapalhar o enfrentamento das mudanças climáticas. Um dos exemplos é o projeto MídiaCOP, promovido por Ministério da Educação, Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República e governo francês, com apoio técnico da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, que atuou na formação de educadores e na preparação de estudantes de escolas públicas de Belém (PA) para que façam a cobertura jornalística da COP30, entendendo seu papel de comunicadores responsáveis.
Também foi lançado recentemente o Guia de Integridade da Informação no Contexto da Crise Climática no Rio Grande do Sul: Protocolos, Boas Práticas e Governança da Informação para Enfrentar a Infodemia Climática, com orientações para a comunicação em tempos de desastres climáticos.
Segundo a própria publicação, o guia “traduz em diretrizes operacionais aquilo que os desastres revelaram de forma dolorosa: que a comunicação é infraestrutura crítica. Sem informação íntegra, nenhuma política pública é eficaz; sem transparência, nenhuma decisão é legítima; sem confiança, nenhuma sociedade é resiliente”.
Que esses exemplos nos ajudem a refletir sobre a postura de cada um de nós ao consumir, produzir ou compartilhar informações sobre o clima. Todos somos responsáveis, em alguma medida, pela construção de um ambiente informacional mais íntegro e, portanto, mais favorável ao enfrentamento das emergências climáticas.