Carregando...
— Colunas e Artigos

O 5G chegou. E agora?

Foto de Patricia Blanco
Autor Patricia Blanco Presidente do Instituto Palavra Aberta Sobre o autor

Apesar das oportunidades que a nova tecnologia promete, já é tempo de pensar para além do acesso

Imagem de destaque do post

📸: freepik.com

A pandemia de Covid-19 escancarou e ampliou as desigualdades sociais no Brasil. Um dos pontos de maior desequilíbrio diz respeito aos temas relacionados à tecnologia e à educação – ou melhor, à ausência delas.

É fato que a exclusão digital no Brasil extrapola os limites das salas de aula. A mais recente pesquisa sobre o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação nos Domicílios (TIC Domicílios), do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), mostra que, apesar de o percentual daqueles que navegam na web ter subido de 71% para 82% entre 2019 e 2021, há ainda 35,5 milhões de brasileiros sem acesso à internet.

Se não bastasse ser tão difícil reverter tamanha exclusão, seja digital ou social, as tecnologias avançam em acelerada velocidade e dão a impressão de que milhões de brasileiros e brasileiras ficarão ainda mais distantes dos benefícios desse avanço. E, no cenário atual, se nada for feito, a tecnologia pode servir para aprofundar ainda mais as desigualdades.

Por outro lado, esses avanços – sobretudo a chegada da rede 5G, a quinta geração das redes móveis – podem representar uma excelente oportunidade para acelerar e ampliar a inclusão digital. Essa nova tecnologia, que pretende transformar a experiência online, trazendo velocidade e conectividade jamais experimentadas, precisa ser usada justamente para eliminar barreiras de acesso e, com isso, favorecer também a inclusão social e econômica, principalmente dos mais jovens.

E essa inclusão vai além do acesso (que é básico, claro). É preciso preparar as novas gerações não apenas para o uso da tecnologia em si, o que inclui o funcionamento das ferramentas e dispositivos, linguagens de programação e robótica, entre outros saberes, mas principalmente para que façam uso realmente qualificado, ético e fortalecedor de toda e qualquer tecnologia, desenvolvendo assim todo o seu potencial. Ou seja, passa necessariamente pela implantação da educação digital e midiática desde os primeiros anos de escolarização.

Como afirmou a futurista americana Amy Webb, no Festival LED – Luz na Educação, realizado no início de julho pela Globo e Fundação Roberto Marinho, “o futuro da educação será moldado por forças econômicas, decisões políticas, mudanças culturais – a tecnologia desempenha um papel, mas não é um papel predominante”.

Webb ressaltou que é decisivo oferecer infraestrutura tecnológica. Contudo, o uso intensivo de novas ferramentas tem de ser acompanhado por investimento pesado na formação de professores. Segundo ela, a infraestrutura, especificamente o 5G, é um requisito para a educação moderna. Entretanto, os professores também fazem parte da infraestrutura central do Brasil. Nas palavras de Webb: “O País deve investir em seus professores. E deve capacitá-los a usar a tecnologia já preferida pelos alunos, como o WhatsApp, por exemplo”.

Essa preocupação, embora nova no Brasil, vem ganhando força nos últimos anos, o que suscita algum otimismo. Desde 2019, o País possui normas que têm como objetivo oferecer conhecimento tecnológico e educação midiática e informacional aos jovens dos ensinos fundamental e médio. Isso está contemplado na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e já começa a dar frutos.

Dessa forma, espera-se que todas as esferas de governo promovam constante capacitação dos seus professores e demais profissionais da área da educação, além de garantir infraestrutura para que educadores e alunos possam fazer o melhor uso das tecnologias.

É certo que toda a sociedade ganhará se pensarmos para além do acesso, colocando a tecnologia não como fim, mas como o meio pelo qual crianças e jovens terão condições reais de transformar informação em conhecimento e com isso, serem de fato, incluídos na sociedade conectada. Sem isso, garantir o acesso ao 5G ou a qualquer recurso tecnológico que seja não resultará em cidadania plena.

Foto de Patricia Blanco

Patricia Blanco

Presidente do Instituto Palavra Aberta

Patricia Blanco é presidente do Instituto Palavra Aberta, entidade que lidera o EducaMídia, programa de educação midiática com foco na formação de professores e produção de conteúdo sobre o tema.

Voltar ao topo
FAÇA
PAR—
TE

Venha para nossa rede de educação midiática!
Fique por dentro das novidades

Receba gratuitamente nossa newsletter

Siga nossas redes sociais

Que tal usar nossa hashtag?

#educamidia

Utilizamos cookies essenciais para proporcionar uma melhor experiência. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de privacidade.

Política de privacidade