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Jornalismo profissional nunca esteve tão ameaçado

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Autor Patricia Blanco Presidente do Instituto Palavra Aberta Sobre o autor

Casos de ataques contra profissionais da imprensa subiram 22% entre 2020 e 2021

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📸: Freepik

A informação é um bem público e a imprensa livre e independente é o seu guardião. Isso ficou ainda mais evidente diante das atuais crises sanitárias, ambientais e geopolíticas enfrentadas pelo planeta neste começo de século XXI.

Mas, enquanto se apresenta como decisivo para o bem-estar global e para a manutenção de estados democráticos, o jornalismo profissional, nunca esteve tão ameaçado. Cada vez mais, comunicadores e organizações de notícias sofrem com todo tipo de violações. Agora, o cerco é também digital.

Aos ataques, ameaças, prisões e atentados, juntam-se a violência virtual (principalmente contra as mulheres), manifestações de ódio, a vigilância e o hackeamento de dados de jornalistas por parte de atores estatais e não estatais.

Segundo relatório da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) sobre violações à liberdade de expressão, o Brasil registrou no ano passado 145 casos de violência não letal contra profissionais da imprensa e veículos de comunicação. O número representa uma média de 2,7 casos por semana ao longo de 2021, envolvendo ao todo 230 vítimas, um aumento de 21,69% em relação a 2020. 

Se examinado apenas o recorte de ataques virtuais, as postagens em redes sociais com palavras de baixo calão, expressões depreciativas e pejorativas dirigidas à imprensa profissional e aos jornalistas estiveram em 1,46 milhão de posts, o que representa cerca de 4 mil ataques virtuais por dia, ou quase três agressões por minuto.

A essas condições soma-se a crise no modelo de negócios da indústria jornalística. Com menos receitas, a imprensa se enfraquece financeiramente. O resultado é o crescimento dos chamados “desertos de notícias”, ou seja, localidades onde veículos independentes locais encerraram suas atividades por falta de financiamento, acarretando assim numa diminuição drástica da cobertura de assuntos locais e, com isso, reduzindo ainda mais os espaços para a prática de princípios democráticos.

O cenário cinzento se completa com a dualidade do ambiente digital. Se, por um lado, a tecnologia permitiu o acesso a informações sem precedentes, por outro, a falta de transparência das empresas de tecnologia sobre critérios de moderação e direcionamento de conteúdo contribui não só para aumentar a vulnerabilidade econômica de veículos como para a disseminação de desinformação de toda sorte e para o aumento da proliferação de discurso de ódio contra comunicadores e jornalistas.

Comemorado no dia 3 de maio há quase 30 anos, o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa foi instituído pela Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) em 1993. No mesmo dia é também celebrada a assinatura da Declaração de Windhoek, capital da Namíbia, que foi sede de um seminário realizado por jornalistas africanos em 1991. A data lembra a luta pelo direito à liberdade aos profissionais de imprensa de divulgar, investigar e trazer ao conhecimento público informações de forma imparcial e independente. 

Este ano as comemorações no Brasil foram marcadas pela mobilização liderada pela representação da Unesco no país, que reuniu dezenas de entidades e veículos de comunicação, entre eles o Instituto Palavra Aberta, em torno de um grande movimento que teve como objetivo reforçar a importância da imprensa, chamar a atenção de todos às questões essenciais à imprensa livre e independente e reforçar a importância do profissional que lida diariamente com as notícias, atuação destacada pela diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, em mensagem divulgada na data: “Os jornalistas desempenham um papel essencial no fornecimento de informações. Eles avaliam, investigam e divulgam fatos, garantindo que as pessoas possam tomar decisões informadas. O jornalismo é, portanto, um bem público, que devemos defender e apoiar como tal”. 

É necessário ressaltar que todo esse movimento só surtirá o efeito esperado se entendermos que a defesa da liberdade de imprensa não beneficia apenas jornalistas e veículos de comunicação, mas como bem público, beneficia toda a sociedade. Por isso, defender a imprensa livre é papel de todos nós. 

 

Foto de Patricia Blanco

Patricia Blanco

Presidente do Instituto Palavra Aberta

Patricia Blanco é presidente do Instituto Palavra Aberta, entidade que lidera o EducaMídia, programa de educação midiática com foco na formação de professores e produção de conteúdo sobre o tema.

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