Adultização
Fenômeno em que crianças e adolescentes são tratados, representados ou expostos a conteúdos como se fossem adultos, desconsiderando sua idade, maturidade e necessidades específicas de proteção. Isso pode ocorrer em mídias, redes sociais, publicidade ou até em interações com tecnologias digitais, como algoritmos que não distinguem faixas etárias ao recomendar conteúdos. A adultização pode acelerar pressões sociais, afetar o desenvolvimento emocional e colocar jovens em situações de risco, especialmente em ambientes digitais pouco regulados. Reconhecer e combater a adultização é essencial para garantir os direitos e o bem-estar de crianças e adolescentes na cultura digital.
Algoritmos
Os algoritmos de IA são um conjunto de instruções passo a passo (ou regras), geralmente no formato de “se x, então y”, que permitem às máquinas analisar dados, aprender a partir deles, e determinar cursos de ação com base nesse conhecimento. Esses algoritmos podem executar tarefas que normalmente exigiriam inteligência humana, como reconhecimento de padrões, compreensão da linguagem natural, resolução de problemas e tomada de decisões.
Alinhamento
No contexto do treinamento de inteligência artificial, especialmente em sistemas generativos, refere-se ao processo de garantir que os objetivos e operações de uma IA estejam em sincronia com os valores e expectativas humanas. Isso envolve ajustar os modelos de IA para que suas respostas ou criações não apenas atendam às especificações técnicas, mas também respeitem princípios éticos e culturais, minimizando o risco de comportamentos indesejados ou prejudiciais. O alinhamento é crucial para o desenvolvimento responsável de IAs que interagem e impactam a sociedade de maneira positiva.
Alucinação
No contexto de inteligência artificial, acontece quando um programa de computador, como um que cria textos ou imagens, inventa algo que não está nos dados que recebeu, como se estivesse "imaginando" coisas. Isso pode acontecer quando o programa tenta adivinhar ou completar informações, mas acaba criando algo que não faz sentido ou é completamente falso. É como se o programa estivesse sonhando ou vendo coisas que não existem.
Ambiente informacional
Também conhecido como ecossistema informacional ou ecossistema de informação, é o conjunto de mensagens, plataformas, tecnologias e interações pelas quais acessamos, produzimos e compartilhamos informações na sociedade. Ele inclui desde mídias tradicionais até redes sociais, buscadores e sistemas de recomendação que influenciam o que vemos e pensamos. Entender esse ambiente é essencial para agir de forma crítica, segura e responsável no mundo digital.
Antropomorfismo
É quando atribuímos características humanas, como emoções ou intenções, a objetos ou sistemas de inteligência artificial, como chatbots. Mesmo sabendo que essas máquinas não possuem sentimentos ou consciência, podemos, por exemplo, pensar que um chatbot é simpático ou antipático devido ao modo como responde, ou acreditar que uma IA é consciente porque imita bem a linguagem humana. Isso reflete nossa tendência natural de humanizar as interações com a tecnologia.
Apagamento epistêmico
Ocorre quando certos saberes, vozes, histórias ou formas de conhecimento são sistematicamente excluídos, ignorados ou desvalorizados em processos de produção e circulação de informação — inclusive nos sistemas de inteligência artificial. Isso ocorre, por exemplo, quando bases de dados usadas para treinar algoritmos priorizam visões de mundo ocidentais, brancas ou dominantes, deixando de fora saberes indígenas, africanos, populares ou locais. O apagamento epistêmico reforça desigualdades históricas e limita a diversidade de perspectivas no ambiente digital, tornando invisíveis modos distintos de ver, narrar e interpretar o mundo.
Aprendizado de máquina (machine learning)
Um ramo da inteligência artificial que permite que sistemas melhorem seu desempenho de forma autônoma, com base na análise de dados. Utilizando algoritmos, esses sistemas identificam padrões em grandes conjuntos de dados para fazer previsões ou tomar decisões sem serem explicitamente programados para cada situação específica. Esse processo é fundamental para o desenvolvimento de aplicações de IA que se adaptam e aprendem com a experiência.
Apuração jornalística
Uma das etapas do processo jornalístico. Nela, o repórter coleta informações e documentos, faz entrevistas e busca qualquer outro tipo de conteúdo que possa servir para a elaboração de uma reportagem.
Assistente virtual
É um programa de inteligência artificial projetado para interagir com pessoas por meio de texto ou voz, oferecendo ajuda em tarefas como responder perguntas, organizar agendas, fazer buscas ou executar comandos. Pode ser integrado a celulares, computadores ou plataformas online, e aprende com o uso para oferecer respostas mais precisas. Esses sistemas imitam conversas humanas e estão cada vez mais presentes no cotidiano, facilitando a vida de usuários — mas também exigindo atenção quanto à privacidade e à confiança nas informações fornecidas.
Atribuição
No contexto do direito autoral, é o reconhecimento dado ao criador original de uma obra quando ela é usada, adaptada ou compartilhada. Significa citar corretamente o autor, fonte e, quando possível, o contexto da criação. Mesmo quando uma obra está disponível gratuitamente — como em licenças abertas ou no ambiente digital — a atribuição continua sendo um direito moral do autor. Em tempos de inteligência artificial e remixagem de conteúdos, praticar a atribuição é um gesto de respeito, responsabilidade e transparência na circulação do conhecimento.
Automação
É o uso de tecnologias ( como softwares, algoritmos e sistemas de inteligência artificial) para realizar tarefas de forma automática, sem intervenção humana constante. Ela está presente em diversas áreas: da indústria à educação, dos transportes ao atendimento digital. No ambiente informacional, a automação organiza o que vemos nos feeds, filtra mensagens e até gera conteúdos. Embora traga ganhos de eficiência, também pode substituir empregos, reproduzir vieses e reduzir a transparência nas decisões. Por isso, é importante analisar criticamente o que está sendo automatizado, por quem e com quais consequências sociais.
Autoplay
Função que faz com que vídeos, áudios ou outros conteúdos digitais comecem automaticamente, sem que o usuário precise dar o comando. Comum em plataformas de streaming e redes sociais, o autoplay aumenta o tempo de permanência e o engajamento. Porém, pode reduzir o controle do usuário sobre o próprio tempo, incentivar o consumo excessivo e dificultar a escolha consciente dos conteúdos.
Base de dados
É um conjunto organizado de informações — como textos, imagens, sons ou códigos — armazenadas para serem consultadas e utilizadas por sistemas digitais. No contexto da inteligência artificial, essas bases são essenciais para o treinamento de modelos, pois fornecem os exemplos com os quais a IA aprende a reconhecer padrões e gerar novos conteúdos semelhantes. A qualidade e diversidade dessas bases influenciam diretamente o desempenho e a imparcialidade dos sistemas de IA.
Big Tech
É o nome genérico dado ao conjunto das grandes empresas de tecnologia que controlam plataformas digitais amplamente usadas no mundo, como Google, Meta (Facebook, Instagram, WhatsApp), Apple, Amazon e Microsoft. Essas corporações acumulam enorme poder econômico e influência sobre o acesso à informação, os fluxos de dados e as dinâmicas de interação social online. Com atuação global e pouca regulação, elas moldam o ambiente digital de maneira opaca, impactando diretamente a cultura, a política e os direitos dos cidadãos. Entender seu funcionamento e suas estratégias é essencial para uma educação midiática crítica.
Blog
Canal de comunicação na internet, que permite atualização rápida. Originalmente o termo era associado a uma espécie de “diário” na rede.
Bolha informacional/bolha de filtro
É o fenômeno em que algoritmos personalizam os conteúdos que vemos online com base em nossos interesses, comportamentos e interações passadas. Isso limita nosso acesso a opiniões diferentes ou informações novas, reforçando crenças existentes e dificultando o pensamento crítico e o diálogo com pontos de vista diversos.
Bots
São programas automatizados que executam tarefas repetitivas na internet, como responder mensagens, postar conteúdos ou interagir com usuários. Podem ser úteis, como em chats de atendimento ou alertas de notícias, mas também usados para espalhar desinformação, manipular debates ou simular perfis falsos, especialmente nas redes sociais. É importante saber identificá-los e entender seu impacto no ambiente informacional.
Buscador (ou mecanismo de busca)
É uma ferramenta digital que localiza e organiza informações disponíveis na internet com base em palavras-chave fornecidas pelo usuário. Utiliza algoritmos para classificar e exibir os resultados mais relevantes, muitas vezes com base em popularidade, localização, histórico e interesses do usuário. Embora úteis, os buscadores não oferecem uma visão neutra ou completa da informação — seus critérios de ordenação afetam o que vemos primeiro e o que fica invisível, exigindo leitura crítica e atenção às fontes consultadas.
Caça-cliques (click-bait)
Conteúdo produzido com o objetivo de ganhar cliques na internet. Geralmente aparece sob a forma de títulos chamativos ou sensacionalistas, que despertam a curiosidade e aumenta o número de acessos a um determinado site.
Câmara de eco (echo chamber)
É um ambiente — especialmente online — em que uma pessoa é exposta principalmente a opiniões, informações e conteúdos que reforçam suas próprias crenças. Isso acontece quando algoritmos ou escolhas pessoais filtram vozes divergentes, criando uma sensação de consenso onde, na verdade, há pouca diversidade de ideias. Em uma câmara de eco, o debate se empobrece, o pensamento crítico diminui e a polarização tende a aumentar, dificultando a convivência democrática com ideias diferentes e muitas vezes levando à radicalização.
Chatbot
São programas de computador que simulam conversas com seres humanos por meio de texto ou voz. Usam inteligência artificial para entender perguntas e oferecer respostas automáticas, podendo ser simples (com respostas pré-programadas) ou avançados (como os que usam aprendizado de máquina). Estão presentes em sites, aplicativos e assistentes virtuais, ajudando em tarefas como atendimento ao cliente, busca de informações ou até mesmo apoio ao estudo. Embora úteis, podem gerar respostas erradas ou enganosas, exigindo uso crítico por parte dos usuários.
Checagem de informações (fact-checking)
Método jornalístico para verificar se uma determinada informação é confiável. Nas agências de checagem, os jornalistas pesquisam como a informação surgiu e de que maneira pode ser confirmada -- a partir daí, costumam criar “selos” para classificá-la em categorias como 'verdadeira', 'falsa', 'exagerada', 'desatualizada', 'fora de contexto' etc.
Cidadania digital
É a capacidade de agir de forma ética, crítica, segura e participativa no ambiente digital. Envolve o uso responsável das tecnologias (inclusive IA), o respeito aos direitos e deveres online, e o engajamento ativo na sociedade conectada. Ser um cidadão digital significa saber proteger seus dados, combater a desinformação, respeitar outras pessoas nas redes e usar a internet para promover o bem comum. Desenvolver a cidadania digital é essencial para viver com responsabilidade em um mundo cada vez mais mediado por algoritmos e plataformas digitais.
Clickbait (ou caça-cliques)
É um tipo de título ou imagem criada para chamar atenção e incentivar cliques, muitas vezes de forma exagerada ou enganosa. Costuma prometer algo impactante, curioso ou urgente, mas o conteúdo nem sempre corresponde à expectativa. Essa prática busca gerar mais visualizações, curtidas ou lucro com anúncios, mesmo que comprometa a qualidade da informação. Reconhecer o clickbait é uma habilidade importante para evitar a desinformação e desenvolver um consumo mais crítico de conteúdos digitais.
Conspirações
Ver “Teorias conspiratórias”.
Conteúdo patrocinado (branded content)
Postagem, vídeo ou matéria paga por empresas, marcas ou instituições para promover produtos, ideias ou serviços, muitas vezes misturado ao conteúdo comum das plataformas. Pode aparecer em redes sociais, sites de notícias, blogs ou vídeos, e nem sempre está claramente identificado como publicidade. Saber reconhecer esse tipo de conteúdo é essencial para avaliar sua intenção, distinguir opinião de propaganda e desenvolver o consumo crítico de informação.
Cookies
São pequenos arquivos que os sites armazenam no seu dispositivo para registrar informações sobre sua navegação — como páginas visitadas, preferências ou login. Eles servem para personalizar sua experiência, facilitar o acesso e, muitas vezes, direcionar publicidade. Embora úteis, os cookies também levantam questões sobre privacidade e coleta de dados. Por isso, é importante entender como funcionam, ajustar as permissões e saber o que está sendo compartilhado online.
Copyleft
Direito de distribuir gratuitamente cópias e versões modificadas de trabalhos, desde que os mesmos direitos sejam preservados nos trabalhos criados a partir dos originais. É o oposto do copyright.
Copyright
Direito exclusivo do autor, compositor ou editor de imprimir, reproduzir ou vender sua obra literária, artística ou científica. Também chamado de direito autoral.
Critérios de sucesso [dos algoritmos]
São as metas ou objetivos definidos pelos programadores para orientar como um algoritmo deve agir ou tomar decisões. Esses critérios determinam o que o sistema considera um "bom resultado" — como maximizar cliques, manter o usuário engajado ou oferecer recomendações mais precisas. No entanto, se esses critérios forem mal definidos ou desconsiderarem impactos sociais, o algoritmo pode gerar efeitos negativos, como promover desinformação ou reforçar preconceitos. Entender esses critérios é essencial para avaliar o funcionamento e as consequências de sistemas baseados em IA.
Cultura digital
Conjunto de práticas, valores, linguagens e modos de interação que emergem a partir do uso cotidiano das tecnologias digitais na sociedade. Ela transforma como nos comunicamos, aprendemos, criamos, trabalhamos e participamos da vida pública. A cultura digital é marcada pela conectividade, pela circulação de conteúdos em rede, pela atuação de algoritmos e pela centralidade dos dados. Também envolve novos desafios éticos, sociais e educacionais, como o combate à desinformação, a proteção de dados pessoais e o desenvolvimento de competências digitais críticas para a cidadania no século XXI.
Curadoria digital
É a habilidade de selecionar, organizar e compartilhar conteúdos relevantes, confiáveis e de qualidade em meio ao grande volume de informações disponíveis na internet. Envolve avaliar fontes, verificar fatos, contextualizar dados e criar conexões significativas entre diferentes materiais. Praticar curadoria digital é exercer um papel ativo no ambiente informacional — não apenas consumindo conteúdos, mas filtrando e redistribuindo com consciência crítica. Essa competência é fundamental para educadores, estudantes e cidadãos que desejam navegar de forma ética, crítica e responsável na cultura digital.
Cyberbullying
É a prática de agredir, humilhar, ameaçar ou intimidar alguém por meio de mensagens, posts, vídeos ou imagens em ambientes digitais. Pode acontecer em redes sociais, aplicativos de mensagens, jogos online ou fóruns, e costuma ter impacto emocional duradouro nas vítimas. Ao contrário do bullying presencial, o cyberbullying pode acontecer a qualquer hora e alcançar muitas pessoas rapidamente. Combater esse tipo de violência exige empatia, educação digital e ações de prevenção e acolhimento.
Dados
No contexto da IA, dados são todas as informações coletadas que podem ser analisadas pelas máquinas para informar decisões ou treinar algoritmos. Como os dados são o único meio de aprendizado dos sistemas de IA, elas podem reproduzir todos os desequilíbrios ou vieses encontrados nas informações originais. Para entender se as IAs estão funcionando de forma responsável e segundo princípios éticos, é essencial analisar criticamente como esses dados são coletados, interpretados e utilizados.
Dados de interação - São as informações geradas a partir das ações dos usuários ao interagir com sistemas digitais — como cliques, curtidas, comentários, tempo de visualização ou termos pesquisados. Esses dados são usados para ajustar algoritmos em tempo real, personalizar conteúdos e prever comportamentos, podendo também revelar padrões de consumo e preferências individuais ou coletivas.
Dados de treinamento - São os conjuntos de dados usados para ensinar um sistema de inteligência artificial a reconhecer padrões, tomar decisões ou gerar respostas. Quanto mais variados e representativos forem esses dados, mais justos e eficazes tendem a ser os resultados do modelo. Dados enviesados ou incompletos podem levar a erros, distorções e discriminação algorítmica.
Dark web
É uma parte da internet que não é indexada por buscadores comuns e só pode ser acessada por softwares específicos, como o Tor. Nela, os usuários navegam de forma anônima, o que pode proteger a privacidade, mas também facilitar atividades ilegais, como tráfico de dados, comércio clandestino e crimes cibernéticos. Embora nem tudo na dark web seja ilegal, seu uso exige cuidado e consciência dos riscos. Compreender sua existência ajuda a discutir os limites entre anonimato, segurança e responsabilidade no mundo digital.
Data center
Uma infraestrutura física que abriga servidores e equipamentos responsáveis por armazenar, processar e distribuir grandes volumes de dados. São essenciais para o funcionamento de serviços digitais como redes sociais, plataformas de streaming, inteligência artificial e aplicativos em geral. Embora muitas vezes invisíveis ao usuário, os data centers consomem enormes quantidades de energia e recursos naturais, gerando impactos ambientais significativos. Com o crescimento da IA e da digitalização, discutir onde ficam, quem controla e qual é o custo desses centros é fundamental para compreender a dimensão material das tecnologias que usamos todos os dias.
Dataficação
Processo de transformar aspectos da vida cotidiana — comportamentos, emoções, interações, deslocamentos, escolhas — em dados digitais que podem ser coletados, armazenados, analisados e comercializados. Esse fenômeno está presente em quase tudo o que fazemos online (e muitas vezes offline), alimentando algoritmos, sistemas de recomendação e inteligências artificiais. A dataficação permite personalização de serviços, mas também levanta questões sérias sobre privacidade, vigilância, discriminação algorítmica e controle social. Entender como nossas ações viram dados é fundamental para exercer cidadania no mundo digital e questionar quem se beneficia com essa coleta massiva de informações.
Deep fake (mídia sintética)
Deep fakes, ou mídia sintética, são vídeos, imagens ou áudios manipulados ou gerados por inteligência artificial para imitar a realidade de forma convincente. Essa tecnologia pode alterar falas, expressões faciais ou ações de indivíduos em mídias existentes ou criar conteúdos novos que parecem autênticos, mostrando declarações ou situações que nunca aconteceram. Embora possa ter aplicações criativas, também levanta preocupações éticas e de desinformação, exigindo que usuários desenvolvam habilidades críticas para distinguir entre o real e o artificial.
Deep Nudes
Imagens falsas geradas por inteligência artificial que simulam a nudez de uma pessoa real, geralmente sem seu consentimento. Esses conteúdos são criados a partir de fotos públicas, como retratos em redes sociais, e manipulados digitalmente com alta precisão, o que os torna extremamente perigosos. São uma forma de violência digital, violação de imagem e constrangimento, muitas vezes com motivações misóginas, de vingança ou extorsão. O uso e a disseminação de deep nudes são ilegais em muitos países e demonstram como tecnologias avançadas podem ser usadas para causar danos, exigindo regulação, educação e responsabilidade coletiva.
Design persuasivo
É a estratégia de criar interfaces e funcionalidades digitais com o objetivo de influenciar o comportamento dos usuários, muitas vezes sem que eles percebam. Elementos como notificações coloridas, recompensas instantâneas ou botões estrategicamente posicionados são usados para prolongar o tempo de uso, aumentar o engajamento ou incentivar decisões específicas. Embora possa ser usado de forma positiva, esse tipo de design também pode gerar dependência, perda de controle e menor autonomia nas escolhas digitais.
Desinformação
É a divulgação intencional de informações falsas ou enganosas com o objetivo de manipular opiniões, causar confusão ou influenciar decisões. Pode circular em diferentes formatos — textos, imagens, vídeos ou memes — e se espalha facilmente pelas redes sociais, muitas vezes amplificada por algoritmos. Ao contrário da informação incorreta feita por engano, a desinformação tem intenção deliberada de enganar. Desenvolver senso crítico e verificar fontes são formas essenciais de se proteger contra seus efeitos.
Desordem informacional
É o termo usado para descrever a confusão causada pela circulação de diferentes tipos de conteúdo falso, distorcido ou enganoso no ambiente digital. Inclui algumas categorias distintas: desinformação (conteúdo falso criado com intenção de enganar), má informação (uso verdadeiro de dados fora de contexto para prejudicar) e informação incorreta sem intenção (quando se compartilha algo falso por engano). A desordem informacional enfraquece a confiança pública, prejudica o debate democrático e torna mais difícil distinguir fatos de opiniões ou manipulações.
Direito autoral
Conjunto de leis que protege obras intelectuais — como textos, músicas, imagens, vídeos e softwares — garantindo aos seus criadores o reconhecimento e o controle sobre o uso de suas produções. No ambiente digital e com o avanço da inteligência artificial, surgem novos desafios: como atribuir autoria quando há conteúdos gerados por máquinas? É permitido treinar IAs com obras protegidas? O direito autoral busca equilibrar a valorização da criatividade humana com o acesso ao conhecimento, sendo essencial para discutir ética, justiça e responsabilidade na cultura digital.
Direitos digitais
São os direitos fundamentais aplicados ao ambiente online, garantindo que todas as pessoas possam acessar, usar e se expressar na internet de forma segura, livre e inclusiva. Incluem o direito à privacidade, à proteção de dados pessoais, à liberdade de expressão, ao acesso à informação, à não discriminação e à participação digital. Também envolvem o direito à desconexão, à transparência dos algoritmos e à reparação em caso de abusos. Em uma sociedade cada vez mais conectada, conhecer e defender os direitos digitais é essencial para a cidadania e a justiça social no mundo digital.
Direitos por design
Princípio segundo o qual os direitos fundamentais — como privacidade, segurança, transparência e equidade — devem ser incorporados desde o início da criação de tecnologias digitais, e não apenas como ajustes posteriores. Isso significa que plataformas, algoritmos e sistemas de IA devem ser planejados para proteger as pessoas por padrão, garantindo que os valores democráticos estejam embutidos na própria estrutura das ferramentas. Essa abordagem fortalece a governança ética das tecnologias e ajuda a prevenir violações de direitos em larga escala, promovendo um ambiente digital mais justo, seguro e inclusivo.
Discurso de ódio (hate speech)
Qualquer forma de comunicação que ataca, discrimina ou incita violência contra pessoas ou grupos com base em características como raça, gênero, religião, orientação sexual, origem, deficiência ou outras identidades. Pode ocorrer por meio de palavras, imagens, vídeos ou memes, e se espalha com rapidez nas redes sociais, muitas vezes amplificado por algoritmos. O discurso de ódio ameaça a dignidade humana, alimenta a intolerância e enfraquece a convivência democrática. Combatê-lo envolve promover o respeito à diversidade, fortalecer a regulação das plataformas e desenvolver competências críticas por meio da educação para a cidadania digital.
Diversidade (em tecnologias algorítmicas)
Refere-se à presença e representação justa de diferentes grupos sociais — incluindo gênero, raça, etnia, classe, território, cultura e outras identidades — nos dados usados para treinar sistemas de inteligência artificial, nas equipes que os desenvolvem e nas decisões que orientam seu uso. A falta de diversidade pode gerar vieses, invisibilizar realidades e reforçar desigualdades existentes. Promover diversidade nessas tecnologias é essencial para garantir que elas sirvam a todas as pessoas de forma equitativa, respeitosa e inclusiva.
Divulgação científica
É a prática de traduzir o conhecimento produzido pela ciência para uma linguagem acessível ao público em geral. Pode acontecer por meio de vídeos, reportagens, podcasts, infográficos ou postagens em redes sociais. O objetivo é aproximar a ciência da sociedade, promovendo o pensamento crítico, o interesse por temas científicos e o combate à desinformação. Uma boa divulgação científica respeita os dados e métodos da pesquisa, mas busca torná-los compreensíveis e relevantes para diferentes públicos. Em tempos de redes sociais e IA, é essencial desenvolver o olhar crítico para diferenciar boa divulgação de conteúdos distorcidos ou pseudocientíficos.
Domínio público
Conjunto de obras e criações intelectuais que não estão mais protegidas por direitos autorais, seja porque o prazo legal de proteção expirou, seja porque o autor abriu mão desses direitos. Isso significa que qualquer pessoa pode usar, copiar, adaptar ou distribuir essas obras livremente, sem precisar de autorização ou pagar por isso. O domínio público é fundamental para o acesso à cultura, à educação e à inovação, permitindo que conhecimentos e expressões artísticas circulem e sejam recriados. Em tempos de inteligência artificial, também levanta debates sobre o uso ético de conteúdos disponíveis livremente na internet.
Ecossistema informacional
Ver “ambiente informacional”.
Edição
Processo de seleção, organização e refinamento de textos, imagens, áudios ou vídeos durante a criação de um conteúdo midiático. Envolve decisões sobre o que incluir, o que cortar, em que ordem apresentar as informações e como torná-las mais claras e atraentes para o público. A edição não é apenas técnica — é também interpretativa, pois envolve escolhas que afetam o sentido da mensagem e influenciam a forma como ela será percebida. Seja em uma reportagem, um vídeo para redes sociais ou um podcast, editar é sempre um ato de mediação entre o conteúdo bruto e a versão final que será publicada. Por isso, faz parte do processo crítico de produção e exige atenção ética e responsabilidade comunicativa.
Editoria
Seção de um jornal ou veículo de comunicação que trata de um tema específico, geralmente com equipe própria. São exemplos de editoria: 'Política', 'Esportes', 'Economia', 'Educação', 'Cidades', 'Notícias Internacionais', 'Cultura' etc.
Editorial
Texto de opinião apresentado pelo editor-chefe de um veículo de mídia, ou assinado pela empresa. Expressa a opinião do editor ou a posição institucional da empresa jornalística.
Educação midiática
É o conjunto de práticas que desenvolvem as habilidades para acessar, analisar, criar e participar de maneira crítica e ética nos diferentes ambientes midiáticos e informacionais. Segundo o programa EducaMídia, trata-se de formar cidadãos capazes de compreender como as mídias funcionam, reconhecer intenções por trás das mensagens, expressar-se com responsabilidade e engajar-se ativamente no debate público. A educação midiática não se limita ao uso técnico das ferramentas, mas promove a reflexão sobre o papel da mídia na sociedade, o combate à desinformação e a valorização da diversidade de vozes no ambiente digital. É uma competência essencial para a formação cidadã no mundo contemporâneo.
Efeito Eliza
O "efeito Eliza" descreve a tendência das pessoas atribuírem inteligência e compreensão humanas a respostas geradas por computadores, mesmo quando estas são simples ou baseadas em regras básicas. O termo origina-se do programa de computador Eliza dos anos 1960, que simulava uma conversa terapêutica e fazia com que os usuários acreditassem que estavam interagindo com um humano real. Este fenômeno sublinha como os usuários podem facilmente interpretar comunicações automatizadas como emocionalmente significativas ou intelectualmente complexas.
Engajamento
É a medida da atenção, interesse e participação dos usuários em relação a um conteúdo digital. Inclui ações como curtir, comentar, compartilhar, clicar ou permanecer por mais tempo em uma publicação. Em plataformas digitais, algoritmos usam o engajamento como sinal de relevância, priorizando o que aparece no feed. No entanto, focar apenas em engajamento pode favorecer conteúdos sensacionalistas, polarizados ou desinformativos, que geram mais reações, mesmo que negativas.
Enshitification
Termo crítico usado para descrever o processo pelo qual plataformas digitais e tecnologias, incluindo sistemas de inteligência artificial, se tornam progressivamente piores para os usuários. Inicialmente, essas ferramentas oferecem boas experiências para atrair o público. Depois, priorizam ganhos para anunciantes, investidores ou controle corporativo, reduzindo a qualidade, a transparência e a autonomia dos usuários. O termo, popularizado pelo autor Cory Doctorow, denuncia como o design e os modelos de negócio das plataformas — baseados em extração de dados e maximização de lucro — degradam o ambiente digital ao longo do tempo, afetando a confiança, a utilidade e o valor público da internet.
Estereótipos
São ideias simplificadas e generalizações sobre grupos de pessoas, baseadas em características como gênero, raça, idade ou classe social. Essas representações, muitas vezes injustas ou distorcidas, são repetidas em mídias e conteúdos digitais, influenciando como percebemos o outro e a nós mesmos. Em ambientes digitais e sistemas de inteligência artificial, estereótipos podem ser reproduzidos ou até amplificados, principalmente quando os dados de treinamento refletem preconceitos da sociedade. Reconhecer e questionar estereótipos é essencial para promover uma comunicação mais justa e inclusiva.
Exclusão digital
É a desigualdade no acesso, uso e aproveitamento das tecnologias digitais. Ela ocorre quando pessoas ou grupos não têm acesso à internet, a dispositivos adequados ou às habilidades necessárias para usar ferramentas digitais com autonomia. Essa exclusão aprofunda desigualdades sociais, econômicas e educacionais, limitando o acesso à informação, à participação cidadã e a oportunidades de estudo e trabalho. Superar a exclusão digital envolve garantir infraestrutura, conectividade de qualidade e formação crítica para todos, promovendo inclusão e justiça social na era digital.
Explicabilidade
É a capacidade que um sistema algorítmico ou de inteligência artificial deve ter de tornar compreensíveis os critérios, processos e decisões que adota. Trata-se de um princípio de design que exige que os sistemas sejam construídos de forma transparente e auditável, permitindo que especialistas, reguladores ou pessoas afetadas por suas decisões entendam como e por que determinado resultado foi gerado. A explicabilidade é fundamental para garantir justiça, responsabilidade e confiança no uso de tecnologias automatizadas, especialmente em áreas com alto impacto social, como saúde, segurança, educação e crédito.
Extração de dados
É o processo de coletar informações geradas por usuários em ambientes digitais — como cliques, buscas, localizações, curtidas ou tempo de permanência em uma página — muitas vezes de forma automatizada e invisível. Esses dados são usados por empresas e plataformas para treinar algoritmos, personalizar conteúdos ou direcionar anúncios. Embora seja base para o funcionamento de muitas tecnologias digitais, a extração de dados levanta questões importantes sobre privacidade, consentimento, vigilância e uso comercial das informações pessoais. Entender esse processo é essencial para proteger direitos e atuar de forma consciente no ambiente digital.
Ética em IA
Discussão sobre os princípios morais que devem guiar o desenvolvimento e a implementação de tecnologias de IA, incluindo questões de privacidade, transparência e justiça, bem como impactos sociais e ambientais.
Fact-checking (checagem de informações)
Método jornalístico para verificar se uma determinada informação é confiável. Nas agências de checagem, os jornalistas pesquisam como a informação surgiu e de que maneira pode ser confirmada -- a partir daí, costumam criar “selos” para classificá-la em categorias como 'verdadeira', 'falsa', 'exagerada', 'desatualizada', 'fora de contexto' etc.
Fadiga informacional
É o cansaço mental causado pelo excesso de informações a que somos expostos diariamente, especialmente no ambiente digital. Quando há muitas mensagens, notificações, notícias e conteúdos disputando nossa atenção, podemos sentir dificuldade de concentração, estresse e até paralisia diante de decisões simples. Essa sobrecarga afeta a capacidade de filtrar o que é relevante, dificultando o pensamento crítico e a qualidade da aprendizagem. Aprender a gerir o tempo online, estabelecer limites e avaliar fontes com consciência são formas importantes de enfrentar esse fenômeno.
Fake news
São informações falsas apresentadas como se fossem verdadeiras, muitas vezes com aparência de notícia real. São criadas para enganar, manipular opiniões, gerar lucro ou desestabilizar debates públicos. Costumam se espalhar com rapidez nas redes sociais, muitas vezes por causa do engajamento emocional que provocam. Apesar de popular, o termo "fake news" é problemático, pois junta duas ideias opostas: "falso" e "notícia" — e notícias, por definição, deveriam ser baseadas em fatos verificados. Além disso, o termo tem sido usado para desacreditar a imprensa profissional e silenciar críticas legítimas. Por isso, especialistas preferem expressões como desinformação ou conteúdo enganoso.
Feed [de rede social]
É a área principal de uma plataforma digital onde os conteúdos — como postagens, vídeos, fotos e links — aparecem para o usuário. A ordem e a seleção desses conteúdos não são aleatórias: são determinadas por algoritmos que levam em conta preferências, interações passadas e objetivos comerciais da plataforma. Isso significa que cada pessoa vê um feed diferente, personalizado para mantê-la engajada. Embora essa personalização facilite o acesso a conteúdos de interesse, ela também pode limitar a diversidade de informações, reforçar bolhas informacionais e dificultar o contato com pontos de vista diferentes.
Fluência digital
É a capacidade de usar tecnologias digitais com autonomia, criatividade, responsabilidade e pensamento crítico. Vai além de saber clicar ou usar aplicativos: envolve compreender como funcionam as ferramentas, adaptar-se a novos contextos digitais, resolver problemas e criar conteúdos relevantes. Uma pessoa fluente digitalmente é capaz de aprender de forma contínua, colaborar em ambientes virtuais e avaliar com discernimento as informações que circulam online. Desenvolver a fluência digital é essencial para a cidadania ativa e a participação qualificada na sociedade conectada.
Fontes (primárias e secundárias)
Termo que descreve as diferentes origens da informação que usamos para aprender, investigar ou produzir conteúdo. Fontes primárias são aquelas que apresentam o fato diretamente — como uma entrevista, documento oficial, vídeo do evento ou relato de quem esteve presente. Já as fontes secundárias interpretam ou explicam as primárias, como reportagens, livros didáticos ou análises em artigos. Saber distinguir esses dois tipos é essencial para avaliar a confiabilidade da informação, identificar possíveis distorções e formar opiniões com base em evidências.
Governança
No contexto de novas tecnologias e inteligência artificial, refere-se aos processos, regras, acordos e instituições que definem como essas tecnologias são desenvolvidas, implementadas, fiscalizadas e utilizadas na sociedade. Envolve a participação de diferentes atores — governos, empresas, pesquisadores, sociedade civil — na definição de princípios éticos, direitos e responsabilidades. Uma boa governança busca garantir que as tecnologias sejam usadas de forma transparente, justa, segura e alinhada ao interesse público, promovendo inclusão, proteção de dados e respeito aos direitos humanos em ambientes digitais cada vez mais complexos e automatizados.
Hipertexto
Forma de escrita e leitura não-linear, que permite acesso ilimitado a outros textos por meio de links.
Hoax
Boato, golpe ou embuste criado intencionalmente para enganar ou confundir. Muitas vezes vem em forma de corrente, história absurda ou “notícia” sensacionalista que circula por redes sociais e aplicativos de mensagens, apelando para o medo, o mistério ou a curiosidade. Alguns hoaxes têm tom folclórico ou de piada — como previsões apocalípticas, descobertas milagrosas ou conspirações bizarras — mas, mesmo quando parecem inofensivos, podem enganar pessoas menos letradas digitalmente e alimentar desinformação. Identificar um hoax exige pensamento crítico, verificação de fontes e atenção ao tom exagerado ou alarmista da mensagem.
Humano no ciclo
"Human in the loop" ou "humano no ciclo" refere-se ao envolvimento ativo de pessoas no processo de operação de sistemas automatizados, especialmente em inteligência artificial. Esse conceito garante que decisões críticas sejam supervisionadas ou tomadas por humanos, combinando a eficiência dos algoritmos com o discernimento humano. Essa prática é essencial para manter a segurança, a ética e a precisão dos sistemas de IA.
IAs companheiras
Sistemas de inteligência artificial desenvolvidos para interagir de forma personalizada e emocional com os usuários, simulando relações de amizade, cuidado ou até romance. Elas aprendem com as conversas, adaptam suas respostas e buscam criar vínculos afetivos por meio da linguagem. Presentes em aplicativos de conversa, jogos e assistentes virtuais, essas IAs levantam questões importantes sobre solidão, dependência emocional, privacidade e limites entre o real e o artificial. Embora possam oferecer companhia e suporte, é essencial refletir sobre os impactos sociais e psicológicos desse tipo de interação mediada por máquina, que não tem consciência ou responsabilidade.
Imagens rotuladas
São imagens que vêm acompanhadas de informações descritivas (rótulos), como o que aparece na foto — por exemplo, “cachorro”, “carro vermelho” ou “criança sorrindo”. Esses rótulos são usados para treinar sistemas de inteligência artificial, ajudando-os a reconhecer objetos, cenários ou ações. Quanto mais precisos e diversos forem os rótulos, melhor a IA aprende a identificar corretamente elementos em novas imagens. Esse processo é fundamental para aplicações como reconhecimento facial, diagnósticos por imagem ou filtros automáticos em redes sociais.
Influenciadores digitais (influencers)
Pessoas que produzem conteúdo e constroem audiência nas redes sociais, exercendo influência sobre comportamentos, opiniões e decisões do público. Há influenciadores em várias esferas: de moda e entretenimento a ciência, política ou educação. Esses comunicadores podem ganhar visibilidade por seu carisma, opiniões ou por um estilo de vida que seus seguidores admiram ou desejam copiar; mas podem também ser especialistas que ajudam a democratizar o acesso à informação de forma acessível e engajada. É importante lembrar que influenciadores também podem reforçar estereótipos, desinformar ou promover interesses comerciais sem transparência, e que sua popularidade gera lucro . Por isso, é importante desenvolver o olhar crítico sobre quem influencia, com que propósito e com base em quais evidências.
Injeção de prompt
É uma técnica usada para manipular ou enganar sistemas de inteligência artificial baseados em linguagem, como chatbots. Consiste em inserir comandos ou instruções ocultas dentro de um texto ou pergunta para forçar a IA a responder de forma inesperada, violando regras ou ultrapassando limites pré-estabelecidos. Essa prática pode ser usada de forma maliciosa, revelando informações protegidas ou fazendo a IA agir contra seus próprios parâmetros de segurança. Compreender a injeção de prompt ajuda a refletir sobre os limites da IA, a importância da segurança nos sistemas e os riscos do uso indevido dessas tecnologias.
Integridade da informação
Segundo a ONU, refere-se à qualidade da informação que circula em um ecossistema comunicacional seguro, preciso e confiável, fundamental para o funcionamento saudável das sociedades democráticas. Esse conceito vai além da simples veracidade de conteúdos: abrange também o contexto, a transparência de origem, a ausência de manipulação intencional e a capacidade dos cidadãos de acessar informações de interesse público de forma plural, segura e livre de interferências indevidas.
A defesa da integridade da informação, de acordo com a ONU e a UNESCO, envolve proteger o espaço informacional contra desinformação, manipulações algorítmicas, discurso de ódio e tentativas de silenciar vozes legítimas. É uma responsabilidade compartilhada entre governos, plataformas digitais, sociedade civil e cidadãos — e está diretamente ligada aos direitos humanos, à liberdade de expressão e à participação informada nas decisões públicas.
Inteligência artificial
É o campo da tecnologia que desenvolve sistemas capazes de realizar tarefas que normalmente exigiriam inteligência humana, como reconhecer imagens, entender linguagem, tomar decisões ou aprender com dados. Esses sistemas funcionam com base em algoritmos que identificam padrões e fazem previsões ou sugestões a partir de grandes volumes de informação.
Existem diferentes tipos de IA — desde as mais simples, como filtros de spam, até as mais avançadas, como os modelos generativos que criam textos, imagens ou músicas. Embora não pensem ou sintam como humanos, essas máquinas imitam aspectos da cognição humana para resolver problemas, interagir com pessoas e automatizar processos. Por isso, é essencial compreender como funcionam, quem as desenvolve e com que objetivos, para usá-las de forma crítica, ética e responsável.
IAs generativas - Modelo de aprendizado de máquina que, após ter sido treinado com um extenso banco de dados contendo exemplos de referência, é capaz de gerar novos conteúdos, como texto, imagens ou vídeo, em resposta a uma solicitação enviada. Geralmente utilizam uma interface de diálogo com o usuário (chatbot). Gemini, ChatGPT e Copilot são exemplos de IA generativa para texto, enquanto que Midjourney, Dall-E, Sora e outros geram imagens ou vídeo.
IAs preditivas - são sistemas de inteligência artificial treinados para identificar padrões em dados e prever resultados futuros, como comportamento de usuários ou tendências de consumo. Geralmente atuam de forma invisível para o usuário. Em vez de criar novos conteúdos, como fazem as IAs generativas, elas antecipam ações prováveis — por exemplo, sugerindo vídeos, produtos ou detectando riscos em tempo real.
Interface
É o espaço de interação entre uma pessoa e uma tecnologia digital — como a tela de um celular, um botão, um menu ou até um chatbot. Ela traduz comandos humanos em ações da máquina e vice-versa, tornando a comunicação possível. As interfaces não são neutras: seu design influencia como percebemos a informação, tomamos decisões e nos comportamos online. Em tecnologias algorítmicas, a interface pode ocultar processos complexos, como coleta de dados ou funcionamento de algoritmos, dando a impressão de simplicidade. Compreender as interfaces é essencial para usar as tecnologias de forma crítica e consciente.
Jornalismo
É a atividade profissional de investigar, apurar, produzir e divulgar informações de interesse público, com base em critérios como veracidade, relevância, responsabilidade e transparência. O trabalho jornalístico segue métodos rigorosos, como checagem de dados, consulta a fontes qualificadas, atribuição clara de autoria e compromisso com os direitos humanos e a democracia. Em uma sociedade inundada por informações, o jornalismo cumpre um papel essencial: ajudar as pessoas a entender o mundo com base em fatos, não apenas em opiniões ou emoções.
Jornalismo cidadão
Prática em que pessoas sem formação profissional em jornalismo (como moradores, ativistas, estudantes ou usuários das redes) registram e compartilham informações sobre eventos de interesse público, especialmente por meio das redes sociais. Pode incluir fotos, vídeos, relatos ou transmissões ao vivo feitas em tempo real. Essa atuação ajuda a ampliar a diversidade de vozes e perspectivas na mídia, mas também exige responsabilidade na apuração e verificação dos fatos, para não alimentar a desinformação. A educação midiática ajuda a valorizar o potencial do jornalismo cidadão com consciência crítica e ética.
Lei de acesso à informação
Lei que assegura o direito de acesso a informações produzidas ou armazenadas por órgãos e entidades dos três poderes (Executivo, Judiciário e Legislativo) e de todas as esferas do governo (União, Estados e municípios). Estabelece que o governo deve fornecer informações requeridas pelos cidadãos em prazos determinados, além de publicar espontaneamente informações de interesse coletivo.
Leitura lateral
É uma estratégia usada para verificar a confiabilidade de uma informação pesquisando simultaneamente em várias fontes externas. Em vez de confiar apenas no site original, o leitor abre novas abas, compara dados, busca sobre o autor ou organização e analisa o contexto. Essa prática ajuda a identificar conteúdos enganosos, viéses ou manipulações, sendo especialmente útil na checagem de fatos e na navegação crítica pelo ambiente informacional. É uma habilidade essencial para lidar com desinformação na internet.
Letramento digital
É a capacidade de usar tecnologias digitais de forma crítica, segura, ética e criativa. Vai além de saber operar aparelhos: envolve compreender como a informação circula, como funcionam os sistemas digitais (como buscadores, redes sociais e algoritmos) e como interagir conscientemente nesses ambientes. Um letramento digital pleno inclui também a habilidade de produzir conteúdos, proteger dados pessoais, identificar desinformação e participar ativamente da vida em sociedade por meio das tecnologias. É uma competência essencial para a cidadania na era digital.
Liberdade de expressão
É o direito de todas as pessoas manifestarem suas ideias, opiniões e sentimentos sem censura. É um pilar da democracia e se aplica também aos ambientes digitais. No entanto, esse direito não é absoluto: não inclui discurso de ódio, incitação à violência ou desinformação deliberada que prejudique outras pessoas ou grupos. Exercitar a liberdade de expressão com responsabilidade é essencial para garantir um ambiente informacional seguro, plural e respeitoso.
Licenças abertas
São autorizações legais que permitem o uso, compartilhamento, adaptação e redistribuição de obras criativas, desde que respeitadas certas condições definidas pelo autor. Diferente do “todos os direitos reservados”, as licenças abertas funcionam como “alguns direitos reservados” e buscam ampliar o acesso ao conhecimento e à cultura. Exemplos incluem as licenças Creative Commons, que podem exigir atribuição, limitar usos comerciais ou impedir modificações. Em ambientes digitais e projetos educacionais, as licenças abertas favorecem a colaboração, a inovação e o uso ético de conteúdos protegidos por direito autoral.
Lide (lead)
Trecho de abertura de uma informação jornalística. Tem como objetivo resumir o que de mais importante está sendo tratado e atrair o interesse do público para continuar lendo, assistindo ou ouvindo aquela informação.
Linguagem natural
É a forma de comunicação usada por seres humanos no dia a dia, como o português, o inglês ou qualquer outro idioma. Em inteligência artificial, o termo se refere à capacidade de um sistema entender, interpretar e gerar textos ou falas semelhantes aos que usamos em conversas reais. Essa habilidade permite que máquinas participem de diálogos, respondam perguntas, resumam textos ou traduzam idiomas, tornando a interação com a tecnologia mais acessível e intuitiva para as pessoas.
Live
Transmissão ao vivo de vídeos, geralmente em plataformas digitais e redes sociais.
Meme
É uma unidade de informação cultural — como uma imagem, vídeo, frase ou piada — que se espalha rapidamente pelas redes sociais, sendo copiada, remixada e adaptada por diferentes pessoas. Com linguagem acessível e humor, os memes comentam acontecimentos, expressam opiniões e criam identificação coletiva. Na cultura digital, tornaram-se uma forma poderosa de comunicação, especialmente entre jovens. Embora pareçam apenas divertidos, os memes também podem transmitir ideias complexas, reforçar estereótipos, influenciar debates públicos ou espalhar desinformação. Por isso, analisá-los criticamente é uma parte importante da educação midiática.
Mídia sintética
É qualquer conteúdo — como textos, imagens, vídeos ou áudios — criado ou alterado por sistemas de inteligência artificial, em vez de ser registrado diretamente da realidade. Esses conteúdos podem parecer reais, mesmo sendo totalmente gerados por máquinas, como avatares falantes, paisagens artificiais ou vozes imitadas. A mídia sintética pode ser usada de forma criativa, educativa ou comercial, mas também levanta preocupações éticas, especialmente quando utilizada para enganar, manipular ou espalhar desinformação, como nos casos de deepfakes. Avaliar a origem e a intenção desses conteúdos é essencial no ambiente digital atual.
Mídia tradicional (legacy media)
Refere-se aos meios de comunicação que existiam antes da internet e ainda seguem modelos consolidados de produção e distribuição de informação. Inclui jornais impressos, rádio, televisão e revistas. Essas mídias operam com estruturas profissionais, rotinas editoriais, checagem de fatos e responsabilidade legal, o que lhes confere credibilidade institucional. No entanto, também estão sujeitas a interesses econômicos e políticos. Com a digitalização, muitas se adaptaram ao ambiente online, convivendo e competindo com mídias digitais independentes, redes sociais e influenciadores. Compreender o papel da mídia tradicional ajuda a analisar a diversidade — e os limites — do ecossistema informacional atual.
Mídias (como conteúdo)
Conjunto de mensagens, textos, imagens, sons ou vídeos que circulam por esses canais. Refere-se ao que é produzido, editado, compartilhado e consumido nos diferentes ambientes informacionais. Analisar criticamente as mídias envolve refletir tanto sobre os conteúdos quanto sobre os meios que os distribuem, entendendo seus interesses, linguagens e impactos sociais.
Mídias (como suporte ou canal)
Meios pelos quais as informações são transmitidas ou compartilhadas. Incluem formatos tradicionais, como jornal, rádio e TV, e também digitais, como redes sociais, blogs, podcasts e plataformas de vídeo. Cada mídia possui características próprias que influenciam a forma como a mensagem é construída, recebida e interpretada.
Minerais raros (ou terras raras)
São elementos químicos usados na fabricação de tecnologias digitais como celulares, computadores, baterias, painéis solares e sistemas de inteligência artificial. Apesar do nome, muitos desses minerais não são escassos, mas sua extração é complexa, concentrada em poucos países e associada a impactos ambientais e sociais severos, como degradação do solo, contaminação da água e violações de direitos de comunidades locais. Compreender o papel dos minerais raros na cadeia tecnológica ajuda a refletir sobre os custos invisíveis da era digital e a importância de discutir consumo consciente, justiça ambiental e transição tecnológica responsável.
Modelo de linguagem
Ou LLM (do inglês Large Language Model) é um tipo de inteligência artificial treinado para entender, interpretar e gerar textos em linguagem natural. Ele aprende a partir de enormes volumes de dados textuais, como livros, artigos e sites, identificando padrões na forma como as palavras e frases são usadas. Esses modelos são capazes de realizar tarefas como responder perguntas, escrever textos, traduzir idiomas ou resumir conteúdos. Quanto maior e mais variada for a base de dados usada no treinamento, mais complexas são as tarefas que o modelo pode realizar. Exemplos de LLMs incluem o ChatGPT, o Gemini e o Claude.
Moderador de conteúdo
É a pessoa (ou, em alguns casos, o sistema automatizado) responsável por analisar e filtrar o que pode ou não permanecer em plataformas digitais, como redes sociais, fóruns e sites de vídeo. Essa função envolve aplicar regras de uso, remover conteúdos ofensivos, ilegais ou perigosos, e lidar com denúncias feitas por usuários. Embora essencial para proteger a integridade do ambiente digital, o trabalho de moderação é complexo, muitas vezes invisível, emocionalmente desgastante e sujeito a decisões polêmicas sobre o que é aceitável ou não. Discutir a atuação dos moderadores nos ajuda a refletir sobre liberdade de expressão, responsabilidade das plataformas e os limites da convivência online.
Navegação anônima
Recurso dos navegadores de internet que permite acessar sites sem deixar rastros, como o histórico de navegação ou arquivos temporários, no computador que está sendo utilizado naquele momento.
Negacionismo
É a recusa deliberada de aceitar fatos, evidências científicas ou consensos amplamente reconhecidos, mesmo diante de provas confiáveis. Em vez de buscar argumentos com base na razão ou na ciência, recorre a distorções, boatos e teorias da conspiração. Na internet, o negacionismo se espalha facilmente por meio de algoritmos e redes sociais, impactando debates sobre saúde, clima, história e outros temas importantes.
Notícia
Tipo de informação que atende alguns requisitos específicos, como ser inédita, incomum, impactante ou de interesse de uma grande parte da sociedade.
Operadores de busca
Símbolos ou comandos usados em mecanismos de busca para refinar e tornar mais precisa a pesquisa por informações. Eles ajudam a filtrar resultados, combinar termos, excluir palavras ou buscar em sites específicos. Exemplos comuns incluem: aspas (“ ”) para buscar uma frase exata, o sinal de menos (–) para excluir um termo, ou site: para limitar a busca a um domínio específico. Usar operadores de forma estratégica permite encontrar fontes mais confiáveis, comparar informações e evitar resultados irrelevantes — sendo, portanto, uma ferramenta poderosa para o pensamento crítico e a investigação digital.
Padrão
Em bases de dados, é uma regularidade ou repetição encontrada em um conjunto de informações. Pode ser uma tendência, um comportamento comum, uma correlação entre elementos ou uma sequência que se repete. Sistemas de inteligência artificial usam esses padrões para aprender, prever resultados e tomar decisões — como reconhecer que uma determinada combinação de pixels forma um rosto, ou que certos termos costumam aparecer juntos em um texto. Identificar padrões é o que permite que algoritmos transformem dados brutos em ações e respostas aparentemente “inteligentes”.
Padronização estética
É o processo pelo qual estilos visuais e formatos de apresentação tornam-se repetitivos e homogêneos, especialmente em ambientes digitais mediados por algoritmos. Plataformas como redes sociais ou geradores de imagem por IA tendem a favorecer certos tipos de rostos, corpos, cores ou composições que performam bem em termos de engajamento. Com isso, certos padrões visuais se espalham e se reforçam, enquanto outras formas de expressão — ligadas à diversidade cultural, estética ou corporal — ficam invisibilizadas. Essa padronização pode empobrecer a criatividade, reforçar estereótipos e limitar a representação de identidades diversas.
Palavras-chave
São termos ou expressões usados para localizar, classificar ou destacar informações em ambientes digitais. Em buscadores, são os termos digitados para encontrar conteúdos relevantes — por isso, escolher boas palavras-chave é essencial para obter resultados precisos. Elas também são usadas em títulos, hashtags, metadados e algoritmos para identificar tópicos, organizar conteúdos e direcionar o que aparece nos feeds. Em redes sociais e plataformas de vídeo, palavras-chave influenciam a visibilidade de postagens e a forma como os conteúdos circulam. Saber usar e interpretar palavras-chave é uma habilidade central no letramento digital e na navegação crítica do ambiente informacional.
Paradoxo da confiabilidade
O "paradoxo da confiabilidade" descreve o fenômeno onde quanto mais confiável e eficiente um sistema automatizado se torna, mais os usuários tendem a depender dele sem questionar ou entender completamente seu funcionamento. Isso pode levar a um aumento de confiança excessiva no sistema, reduzindo a vigilância humana e potencialmente ignorando erros ou falhas críticas. Este paradoxo é particularmente relevante em contextos de inteligência artificial, onde a dependência de sistemas automatizados pode mascarar a necessidade de supervisão e intervenção humanas críticas.
Parâmetros
Em inteligência artificial e aprendizado de máquina, referem-se a variáveis configuráveis que o modelo utiliza para ajustar suas previsões e tomadas de decisão com base nos dados. Eles são essenciais para definir o comportamento do modelo, influenciando como este aprende padrões a partir dos dados de treinamento. Ajustar esses parâmetros é uma parte importante do processo de desenvolvimento de um modelo de IA, permitindo que o sistema melhore sua precisão e eficiência ao lidar com tarefas específicas.
Pauta
Relação de assuntos ou temas que nortearão o trabalho jornalístico. Em geral, a pauta é definida em uma reunião a partir da qual o jornalista começará a executar seu trabalho de apuração e checagem.
Pegada digital (rastro digital)
É o conjunto de dados que deixamos ao usar a internet — como cliques, buscas, curtidas, postagens, compras online e até o tempo que passamos olhando uma tela. Essas informações são registradas por sites, aplicativos e plataformas, muitas vezes de forma invisível, e podem ser usadas para traçar perfis, personalizar conteúdos, vender produtos ou tomar decisões automatizadas. A pegada digital pode ser útil, mas também envolve riscos à privacidade e à autonomia. Por isso, é importante entender como nossos dados são coletados e adotar hábitos conscientes de navegação.
Personalização algorítmica
Uso de algoritmos de inteligência artificial para adaptar a oferta de conteúdos, produtos ou serviços ao perfil individual do usuário, com base em seus dados de comportamento online. A personalização algorítmica determina quais informações, notícias e anúncios são apresentados aos usuários, podendo criar “bolhas de filtro” que limitam a exposição a pontos de vista diversificados.
Phishing
Tentativa de enganar pessoas para que elas revelem informações sensíveis — como senhas, dados bancários ou números de cartão de crédito — por meio de mensagens falsas que imitam comunicações oficiais. Pode ocorrer por e-mail, SMS, redes sociais ou links em sites fraudulentos. Os golpes de phishing costumam usar linguagem alarmante ou promessas tentadoras para induzir cliques e capturar dados. Desenvolver atenção aos sinais de alerta — como erros de ortografia, links suspeitos ou remetentes desconhecidos — é fundamental para navegar com segurança no ambiente digital.
Pirâmide invertida
Técnica para estruturar o texto jornalístico. As informações mais relevantes devem aparecer logo no início (o que aconteceu, quando, como, onde e por quê). Na sequência são apresentados detalhes importantes e só depois surgem outras informações gerais e contexto.
Plataformas digitais
Sistemas online que conectam usuários, conteúdos, serviços e dados em um mesmo ambiente virtual. Elas funcionam como intermediárias — por exemplo, entre quem produz e quem consome informação — e incluem redes sociais, sites de vídeo, apps de transporte, comércio eletrônico, entre outros. Operam com base em algoritmos que organizam a experiência dos usuários e extraem valor dos dados gerados, influenciando comportamentos, relações sociais e o acesso à informação.
Plataformização
Processo pelo qual plataformas digitais — como redes sociais, apps de transporte, serviços de streaming ou marketplaces — se tornam o principal meio de acesso a informações, serviços, interações sociais e culturais. Essas plataformas operam com base em algoritmos, extração de dados e modelos de negócio centrados no engajamento, moldando comportamentos, relações e até decisões públicas. A plataformização reorganiza setores como educação, comunicação, trabalho e entretenimento, concentrando poder em poucas empresas e criando dependência tecnológica. Compreender esse fenômeno é essencial para analisar criticamente os impactos sociais, econômicos e políticos da vida mediada por plataformas.
Podcast
É um formato de conteúdo em áudio, geralmente organizado em episódios, que pode ser ouvido sob demanda em plataformas digitais. Os temas são variados — de notícias e ciência a entretenimento e histórias pessoais — e a linguagem costuma ser próxima e acessível. Por sua flexibilidade, o podcast se tornou uma ferramenta popular de informação, educação e expressão. Ouvir com atenção crítica envolve considerar quem produz, quais fontes são usadas e quais pontos de vista estão representados (ou ausentes).
Poluição informacional
Refere-se à superabundância de informações, muitas vezes irrelevantes, enganosas ou de baixa qualidade, que sobrecarregam os usuários, dificultando a identificação de fontes confiáveis e a compreensão de informações valiosas. A poluição informacional destaca a necessidade de desenvolver habilidades críticas de avaliação de informações, permitindo aos usuários discernir conteúdos autênticos e úteis em meio a um mar de informações.
Pós-verdade (post-truth)
Um conceito que descreve contextos em que fatos objetivos têm menos influência na formação da opinião pública do que crenças pessoais, emoções ou interesses ideológicos. Em cenários de pós-verdade, a verdade perde força diante de narrativas simplificadas, desinformação e discursos que apelam à identidade do público. Esse fenômeno é amplificado por algoritmos e redes sociais, que reforçam bolhas informacionais e dificultam o diálogo com pontos de vista diferentes. Combater a cultura da pós-verdade exige letramento midiático, pensamento crítico e o fortalecimento do compromisso com a veracidade e o debate democrático.
Previsões algorítmicas
Capacidade dos sistemas de IA de antecipar comportamentos, decisões ou eventos futuros com base na análise de grandes volumes de dados anteriores. As previsões algorítmicas são utilizadas em diversas áreas, como segurança pública, crédito, marketing e recursos humanos, podendo influenciar decisões que afetam diretamente a vida das pessoas. Seu uso levanta debates sobre justiça, transparência e responsabilidade, especialmente quando operam com dados enviesados ou incompletos.
Prompt
Em inteligência artificial, refere-se a uma comando de texto dado a um sistema, como um chatbot, que guia a máquina a gerar uma resposta ou realizar uma tarefa específica. Com o uso repetido e interações sucessivas, o sistema aprende a partir dos prompts e feedbacks para melhorar a precisão e relevância de suas respostas. Esse processo de aprendizado contínuo permite que o chatbot aprimore sua capacidade de entender e atender às necessidades do usuário de maneira mais eficiente.
Pulverização da autoria
É o fenômeno em que a autoria de um conteúdo torna-se diluída ou indefinida, especialmente em ambientes digitais mediados por algoritmos ou inteligência artificial. Em vez de um autor claramente identificado, temos múltiplas contribuições, cópias, remixagens ou criações, inclusive as geradas por máquinas a partir de dados de milhares de pessoas. Esse processo desafia a ideia tradicional de autoria individual e originalidade, levantando questões sobre propriedade intelectual, reconhecimento, responsabilidade e ética na produção e circulação de informação e cultura digital.
Racismo algorítmico
Refere-se à reprodução ou ampliação de desigualdades raciais por meio de sistemas automatizados, como algoritmos e inteligências artificiais. Esse fenômeno ocorre quando os dados usados no treinamento refletem preconceitos históricos ou quando os critérios do sistema ignoram contextos de discriminação. Os impactos incluem exclusão, vigilância seletiva e decisões injustas que afetam principalmente pessoas negras, indígenas e outros grupos racializados. O racismo algorítmico mostra que tecnologias não são neutras e reforça a importância de pensar justiça social e diversidade desde a criação até a aplicação dos sistemas digitais.
Rastro digital (pegada digital)
Conjunto de dados e informações registrados a cada clique nosso na internet. Informações sobre nosso perfil e preferências coletados a partir de sites visitados, postagens em redes sociais, compartilhamentos, curtidas etc.
Realidade sintética
Refere-se a um ambiente simulado criado por tecnologia computacional. Nessa realidade, elementos como visuais, sons e, às vezes, outros estímulos sensoriais são gerados por sistemas computacionais em vez de serem diretamente observados ou experienciados no mundo físico. Frequentemente utilizada para entretenimento, treinamento, educação e pesquisa, a realidade sintética oferece experiências imersivas e interativas. No entanto, com o acesso facilitado à tecnologia, ela também pode ser mal utilizada, criando simulações convincentes ou conteúdo manipulativo, o que pode disseminar desinformação, propaganda ou notícias falsas, com impactos significativos na sociedade.
Reconhecimento de imagem
Tecnologia de inteligência artificial que permite a computadores identificar e processar imagens de maneira similar à visão humana. Utilizando algoritmos de aprendizado de máquina, esta tecnologia pode distinguir objetos, pessoas, lugares e até ações em fotos ou vídeos. O reconhecimento de imagem é amplamente aplicado em diversas áreas, como segurança, através do reconhecimento facial, na medicina, para diagnósticos precisos a partir de imagens médicas, e em redes sociais, para identificar e organizar fotos automaticamente. No entanto, se os dados usados para treinar esses sistemas não forem diversificados e representativos, há um risco significativo de discriminação e viés, levando a erros que podem afetar injustamente certos grupos de pessoas.
Redes sociais
São plataformas digitais que permitem que pessoas e grupos compartilhem conteúdos, interajam e se conectem online. Por meio de algoritmos, essas redes personalizam o que cada usuário vê, com base em seus interesses e comportamentos. Além de promoverem sociabilidade, também influenciam o acesso à informação, a formação de opinião e os debates públicos, tornando-se ambientes centrais da vida digital e da cultura contemporânea.
Regulação [de IA]
É o conjunto de leis, normas e diretrizes criadas para orientar o desenvolvimento, o uso e o impacto social das inteligências artificiais. Seu objetivo é garantir que essas tecnologias sejam seguras, éticas, transparentes e respeitem direitos fundamentais, como privacidade, igualdade e não discriminação. A regulação busca prevenir abusos, corrigir desequilíbrios de poder e promover o uso responsável da IA por empresas, governos e cidadãos. Debates sobre regulação envolvem temas como vigilância, responsabilidade por decisões automatizadas e limites para o uso de IA em áreas sensíveis como justiça, educação e saúde.
Representação
É a forma como pessoas, grupos sociais, identidades, culturas e ideias são retratados nos textos e produtos midiáticos — por meio de imagens, narrativas, escolhas de linguagem, enquadramentos e estereótipos. Essas representações não são neutras: refletem visões de mundo, interesses e valores culturais, podendo reforçar desigualdades ou promover inclusão e diversidade. Questões como gênero, raça, idade, classe social, território, deficiência e identidade nacional costumam ser representadas de maneiras específicas nas mídias, influenciando a forma como o público percebe esses temas. Analisar representações nos ajuda a compreender como a mídia molda nosso imaginário social, e a reconhecer o que está presente, ausente ou distorcido nas narrativas que consumimos.
Retroalimentação algorítmica
Ciclo em que as decisões tomadas por algoritmos influenciam o comportamento dos usuários — como cliques, curtidas e compartilhamentos — e esses comportamentos, por sua vez, reforçam os critérios do próprio algoritmo. Isso cria um efeito de repetição, em que certos conteúdos ganham cada vez mais destaque, enquanto outros permanecem invisíveis. A retroalimentação pode ampliar polarizações, reforçar estereótipos e tornar o ambiente informacional menos diverso, já que o sistema tende a mostrar mais do mesmo, com base no que teve bom desempenho anterior.
Scroll infinito
É um recurso presente em muitos sites e redes sociais que permite que novos conteúdos apareçam automaticamente conforme o usuário desliza a tela, sem um fim definido. Essa técnica mantém a atenção do usuário por mais tempo e aumenta o consumo de informações. No entanto, pode dificultar a autorregulação, favorecer o consumo passivo e contribuir para a fadiga informacional ou o uso excessivo das plataformas.
Selfie
Fotografia, geralmente digital, que uma pessoa tira de si mesma, como um autorretrato. Também vale para fotos em grupo.
Sensacionalismo
Forma chamativa e muitas vezes exagerada de apresentar uma informação, com o objetivo de vender algo, ganhar a atenção do público e gerar cliques, por exemplo.
Sharenting (combinação de “sharing” e “parenting”)
É a prática de pais, mães ou responsáveis compartilharem fotos, vídeos e informações pessoais sobre seus filhos nas redes sociais ou blogs. Embora muitas vezes bem-intencionado, esse hábito pode expor as crianças a riscos como invasão de privacidade, uso indevido de imagens e formação precoce de rastros digitais sem consentimento. O sharenting levanta questões sobre os limites entre o afeto, a exposição e o direito das crianças à proteção e ao esquecimento digital. Refletir sobre o que, como e por que postamos sobre menores de idade é parte fundamental da educação digital das famílias.
Sistema de recomendação
É um tipo de tecnologia usada por plataformas digitais para sugerir conteúdos personalizados aos usuários — como vídeos, músicas, produtos ou notícias — com base em seus dados de navegação, preferências e interações anteriores. Esses sistemas funcionam por meio de algoritmos que aprendem com o comportamento individual e coletivo, moldando o que cada pessoa vê primeiro em seu feed ou busca. Embora ajudem a filtrar o excesso de informações, também podem reforçar bolhas informacionais e limitar a diversidade de perspectivas, influenciando de forma invisível nossas escolhas e visões de mundo.
Slop
É um termo usado para descrever conteúdos digitais de baixa qualidade produzidos em grande escala, muitas vezes por sistemas automatizados ou por humanos com pressa, apenas para gerar tráfego e engajamento. Esses conteúdos geralmente têm aparência superficialmente informativa, mas são vagos, redundantes ou confusos. Com a popularização da IA generativa, o slop se tornou mais comum, inundando a internet com textos, imagens e vídeos sintéticos que pouco contribuem para o conhecimento real — e que podem prejudicar a confiança nas informações online.
Soberania de dados
Princípio de que indivíduos, comunidades ou países devem ter controle sobre os dados que produzem, acessam ou compartilham. Isso inclui decidir onde e como essas informações são armazenadas, quem pode usá-las e para quais finalidades. A soberania de dados é essencial para proteger a privacidade, garantir autonomia digital e evitar que grandes empresas ou governos concentrem poder por meio da coleta massiva de informações.
Sub-representação
Em contextos algorítmicos e de inteligência artificial, ocorre quando determinados grupos humanos — como populações racializadas, periféricas, indígenas, LGBTQIA+ ou de línguas e culturas minoritárias — aparecem pouco ou de forma distorcida nos dados usados para treinar sistemas de IA. Isso pode levar a resultados imprecisos, apagamento de identidades, reforço de estereótipos e exclusão simbólica. A sub-representação revela desigualdades sociais refletidas nas tecnologias e destaca a importância de dados diversos e inclusivos para garantir justiça algorítmica e visibilidade plural no ambiente digital.
Tecnologias algorítmicas
São sistemas digitais que usam algoritmos (conjuntos de regras ou instruções matemáticas) para tomar decisões, processar dados e automatizar tarefas. Presentes em buscadores, redes sociais, plataformas de streaming, aplicativos de transporte e sistemas de IA, essas tecnologias influenciam o que vemos, compramos, assistimos e até como nos relacionamos. Elas funcionam com base na coleta e análise de grandes volumes de dados, muitas vezes de forma invisível para os usuários. Compreender seu funcionamento é essencial para avaliar seus impactos sociais, culturais e éticos no cotidiano.
Teorias conspiratórias
São narrativas que afirmam que eventos importantes são resultado de ações secretas e mal-intencionadas de grupos poderosos, sem apresentar provas confiáveis. Elas costumam distorcer fatos, criar inimigos imaginários e oferecer explicações simples para problemas complexos. Na internet, essas teorias se espalham rapidamente, alimentadas por desinformação, câmaras de eco e algoritmos que priorizam conteúdos engajadores. Podem causar danos reais, influenciando comportamentos, decisões políticas e a confiança nas instituições democráticas.
Transparência (em tecnologias algorítmicas)
É o princípio segundo o qual deve ser possível entender como um sistema automatizado funciona, quais dados utiliza, quais critérios adota para tomar decisões e quem é responsável por ele. A transparência busca tornar visível o que normalmente é opaco nos algoritmos — como as regras que organizam o feed, recomendam conteúdos ou classificam pessoas. Ela é fundamental para garantir confiança, permitir auditoria, corrigir erros e prevenir discriminações, sendo uma das bases para o uso ético e responsável da inteligência artificial.
Treinamento das IAs
Uma inteligência artificial precisa ser treinada para que possa desempenhar as suas funções. De modo muito geral, isso geralmente ocorre em três estágios:
(1) análise de dados, onde a IA examina grandes quantidades de informações para detectar padrões e aprender com eles;
(2) alinhamento, que ajusta os parâmetros da IA para assegurar que suas ações estejam em conformidade com os valores e objetivos humanos;
e (3) “humano no ciclo”, uma etapa contínua em que intervenções humanas são necessárias para supervisionar e corrigir a IA, garantindo que ela opere de maneira ética e eficaz.
URL (sigla de Uniform Resource Locator)
É o endereço que localiza uma página ou recurso na internet — o que digitamos na barra de navegação, como www.exemplo.com. A URL ajuda a identificar a fonte de um conteúdo, e analisá-la pode revelar se o site é confiável ou suspeito. Detalhes como erros de ortografia, domínios estranhos ou nomes que imitam fontes conhecidas são sinais de alerta. Aprender a ler uma URL faz parte do letramento digital básico e da checagem de informações online.
Veículo de comunicação
São os meios ou organizações responsáveis por produzir e distribuir informações para o público. Podem atuar em formatos diversos — como jornais, revistas, emissoras de rádio e TV, sites de notícias ou canais de podcast — e têm diferentes linhas editoriais, públicos-alvo e modelos de financiamento. Entender quem é o veículo, qual sua reputação, sua história e seus interesses é parte essencial da leitura crítica da informação.
Verificação ou checagem [da informação]
É o processo de investigar se um conteúdo é verdadeiro, falso, impreciso ou enganoso. Envolve buscar a fonte original, comparar com dados confiáveis, consultar especialistas ou usar ferramentas específicas. A checagem pode ser feita por profissionais (como agências de fact-checking) ou por qualquer pessoa com pensamento crítico e bons hábitos de pesquisa. É uma prática essencial para combater a desinformação e manter a integridade do ambiente informacional.
Viés algorítmico
Ocorre quando um sistema de inteligência artificial reflete preconceitos existentes nos dados de treinamento ou nas escolhas de seus desenvolvedores, resultando em decisões ou predições injustas ou discriminatórias. Identificar e corrigir o viés algorítmico é crucial para desenvolver tecnologias de IA justas e equitativas, assegurando que elas sirvam a todos os usuários de maneira imparcial.
Viés de confirmação
É a tendência de buscar, interpretar ou lembrar informações de forma a confirmar o que já acreditamos, ignorando ou rejeitando pontos de vista contrários. Esse viés afeta todos nós e é intensificado pelos algoritmos das redes sociais, que nos mostram conteúdos semelhantes aos que já consumimos. Reconhecer o viés de confirmação é um passo importante para desenvolver o pensamento crítico, dialogar com mais abertura e evitar a formação de bolhas informacionais.
Violência digital de gênero
É qualquer ato de violência praticado por meio de tecnologias digitais que cause ou possa causar dano físico, psicológico, moral, sexual ou econômico a uma pessoa com base em seu gênero. Pode incluir ameaças, humilhações, exposição íntima sem consentimento, perseguição online, disseminação de imagens falsas (como deepfakes), extorsão, cyberbullying ou ataques coordenados em redes sociais. Esse tipo de violência afeta de forma desproporcional mulheres, meninas, pessoas LGBTQIA+ e outras populações vulnerabilizadas. A violência digital de gênero compromete o direito à liberdade de expressão, à privacidade e à participação plena no ambiente online, exigindo ações de prevenção, acolhimento, responsabilização e educação crítica para o uso seguro e igualitário da tecnologia.
Viral
É um termo usado para descrever conteúdos digitais — como vídeos, memes, textos ou imagens — que se espalham rapidamente de pessoa para pessoa, alcançando grande popularidade em pouco tempo. Esse efeito é impulsionado por compartilhamentos em massa, reações emocionais e pelos algoritmos das plataformas, que priorizam o que gera mais engajamento. Nem todo conteúdo viral é verdadeiro ou positivo: desinformações, discursos de ódio ou boatos também podem se tornar virais, exigindo atenção crítica dos usuários.