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Criança e a relação fortalecedora no universo digital

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Autor Patricia Blanco Presidente do Instituto Palavra Aberta Sobre o autor

Assegurar uma relação positiva no ambiente digital é responsabilidade de todos

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(Imagem: Kami Al-Zayat/Unsplash)

Um dos maiores especialistas em educação midiática do mundo costuma comparar o fato de não termos a fluência digital necessária para navegarmos com segurança na internet com um cenário em que todos nós passássemos a dirigir sem ter habilitação.

Para Sam Wineburg, professor da Universidade de Stanford e líder de um grupo de pesquisa que estuda o ensino de história e a nossa relação crítica com a multiplicidade de fontes no ambiente digital, nós ainda não sabemos como ter uma experiência verdadeiramente enriquecedora na rede.

A metáfora de um trânsito caótico é boa pois expressa, ao mesmo tempo, tanto a multiplicidade de perigos e riscos que uma situação como essa pode provocar, como também as possibilidades de se chegar onde se quer. A internet abriu uma gama enorme de possibilidades, mas trouxe também riscos que precisam ser enfrentados, que ameaçam a segurança de todos, independe da faixa etária, mas são as crianças que precisam de uma atenção especial.

Se os idosos são mais vulneráveis a golpes virtuais e mais propensos a disseminarem desinformação, como apontam algumas pesquisas, as crianças estão expostas a uma diversidade maior de problemas. É urgente que repensemos a ideia de que as novas gerações, por serem consideradas nativas digitais –ou seja, nasceram em um mundo conectado–, têm o domínio pleno das habilidades necessárias para trafegar no ambiente informacional. Não confundir a facilidade de manuseio que os mais novos parecem ter ao destravar celulares e baixarem aplicativos sem ajuda alguma com aptidão e perspicácia é apenas o primeiro passo.

Não, eles não estão prontos e precisam desenvolver habilidades novas para atuarem com segurança no ambiente digital, pois a lista de riscos a que o público infanto-juvenil está suscetível não é pequena: cyberbullying, discursos de ódio, influenciadores digitais mal intencionados, exposição excessiva, desafios virtuais, stalking, pornografia infantil, assédio, abuso, sexting, roubo de dados, criação de fakes, etc. Os fenômenos são muitos e afetam fortemente a saúde mental de crianças e adolescentes de uma maneira nunca antes vista.

Isso porque eles têm contato, desde pequenos, com um mundo de informações e conteúdos a que nós, adultos, jamais estivemos expostos nessa idade. Enquanto nossa conexão com esse universo era analógica, por meio de jornais, revistas, rádio e televisão, em horários determinados, as crianças e jovens nunca saem das redes. Não entram e saem da internet: eles estão online o tempo todo, e isso pode trazer sérias consequências para as relações sociais e a autoimagem deles.

É importante frisar que a internet oferece um universo infinito de possibilidades de aprendizagem e conhecimento. Desde coleções inteiras de museus online a documentários, cursos gratuitos, fóruns de discussão, canais de aulas online, aplicativos de mobilização social e diversas outras ferramentas que reforçam a participação cívica.

É justamente essa infinidade de oportunidades que devem ser reforçadas e democratizadas – e a educação midiática serve justamente para isso. Quanto mais as crianças e jovens souberem como tirar o melhor proveito das redes, melhor seremos como sociedade.

É por isso que pais precisam estar cientes da atuação de seus filhos nas plataformas digitais. Os responsáveis pelas crianças e jovens devem ser também educados midiaticamente para agir de modo responsável, e isso vai além da mediação parental e das restrições de uso das mídias. É preciso um olhar crítico, atento e ético para todo o tipo de conteúdo consumido e produzido pelos jovens nas mídias sociais.

Como estamos todos aprendendo ao mesmo tempo em que surgem novas tecnologias e formas de usá-las, essa pode parecer uma missão impossível. Mas não é. Conteúdos e entidades envolvidas com essa causa não faltam –existem uma multiplicidade de cartilhas e materiais gerados por debates relevantes, como os que Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e a SaferNet Brasil fazem há anos.

O Instituto Palavra Aberta também vem formando professores em educação midiática para construírem práticas pedagógicas que fortaleçam a constituição de uma cidadania que dialogue com o ambiente digital de modo efetivo.

A responsabilidade pela presença digital das crianças e jovens precisa ser compartilhada, especialmente no que tange à proteção deles. Famílias, escolas e os próprios adolescentes precisam ser envolvidos nesse processo. Portanto, é necessário que todos nós aprendamos e formemos redes de apoio, orientação e diálogo, deixando esse “trânsito virtual” cada vez mais fluído e seguro.

Foto de Patricia Blanco

Patricia Blanco

Presidente do Instituto Palavra Aberta

Patricia Blanco é presidente do Instituto Palavra Aberta, entidade que lidera o EducaMídia, programa de educação midiática com foco na formação de professores e produção de conteúdo sobre o tema.

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