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Cidadania na escola: como despertar o interesse dos jovens pela política?

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Autor Elisa Thobias Assistente de comunicação Sobre o autor

Com a proximidade das eleições, é fundamental levar o assunto para a sala de aula

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📸: Standret | Freepik

Quem acha que política é um assunto, chato, difícil e cansativo? Esse sentimento parece fazer parte do cotidiano dos mais jovens nos últimos anos. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o número de adolescentes entre 16 e 17 anos que solicitaram o título de eleitor nas últimas eleições caiu 82% em comparação com outros períodos.

A dificuldade de diálogo e o distanciamento do interesse da juventude com as questões prioritárias para as gestões públicas são fatores que influenciam esse resultado. Para tentar reverter esse processo, a Justiça Eleitoral, organizações da sociedade civil e até mesmo personalidades da mídia têm realizado campanhas de incentivo à emissão do documento. 

Essas ações são urgentes e necessárias, mas é preciso também envolver, mobilizar e conscientizar de forma contínua essa população sobre a importância de participarem do processo eleitoral. E isso pode e deve ser feito na escola. É nela que os adolescentes passam grande parte do dia e, além disso, é missão das instituições de ensino formar cidadãos e cidadãs conscientes, críticos e responsáveis, o que inclui valorizar e defender a democracia. 

Com atividades que podem ser realizadas por professores de diversas áreas, especialmente na área de humanidades, é importante levar os alunos ao entendimento do funcionamento do regime democrático em linguagens que façam sentido para eles. Em outras palavras: não se pode desprezar o poder das tecnologias e das mídias sociais nesse processo. 

Atividades que tenham o objetivo de apresentar a história, os mecanismos e a importância da democracia são excelentes para que o aluno reconheça a importância de seu papel como agente político e de seu voto. E, se combinadas com a análise de textos jornalísticos e midiáticos sobre o tema, podem colaborar, por exemplo, para a criação de um glossário colaborativo sobre as eleições. Termos como totalitarismo, representação e desinformação podem ser analisados pelas turmas e compartilhados por meio de murais ou no ambiente digital. 

Uma outra abordagem que o professor pode utilizar é a análise da dinâmica das pesquisas eleitorais. Refletir sobre instrumentos de coleta, tratamento e análise de dados é fundamental para que os estudantes compreendam o impacto desses levantamentos quantitativos no processo eleitoral. A habilidade EF05MA24 da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) prevê a interpretação de dados estatísticos apresentados em textos, tabelas e gráficos e a produção de textos com o objetivo de sintetizar conclusões. No dia a dia, o professor pode alinhar-se à base realizando pesquisas sobre diversos temas com as turmas no ambiente escolar. .

Vale lembrar que o Instituto Palavra Aberta, instituição que trabalha na defesa das liberdades e na promoção da educação midiática, lançou o projeto #FakeToFora. A iniciativa tem como objetivo incentivar educadores a promoverem reflexões entre o público jovem que se prepara para votar. Os materiais são gratuitos e estão divididos em seis módulos com objetivos curriculares e midiáticos.

Unindo a conscientização dos jovens sobre a importância da sua atuação no processo democrático, a interpretação cuidadosa dos materiais que chegam até eles e o uso consciente dos dispositivos da comunicação,é possível ter uma geração de novos eleitores preparados para atuar de forma crítica neste e nos próximos anos.

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Elisa Thobias

Assistente de comunicação

Educomunicadora, é assistente de comunicação.

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