Carregando...
— Colunas e Artigos

A escola precisa combater o discurso de ódio

Foto de Isabella Galante Foto de Mariana Mandelli
Autores

Isabella Galante
Mariana Mandelli

Sobre os autores

Em fevereiro deste ano, a jornalista Maria Júlia Coutinho, mais conhecida como Maju, estreou no Jornal Nacional como a primeira mulher negra na bancada do noticiário, o mais...

Imagem de destaque do post

Em fevereiro deste ano, a jornalista Maria Júlia Coutinho, mais conhecida como Maju, estreou no Jornal Nacional como a primeira mulher negra na bancada do noticiário, o mais importante da Rede Globo. O programa está completando 50 anos.

No entanto, antes de ocupar tal posto de destaque, gerando uma discussão nacional sobre a representatividade na televisão aberta, a apresentadora foi vítima de crime de ódio quando internautas publicaram uma série de comentários racistas e machistas em uma foto sua nas redes sociais. Na ocasião, em 2015, Maju apresentava a previsão do tempo na mesma atração jornalística.

As manifestações provocaram indignação e os responsáveis sofreram as consequências. Quase um ano após a ocorrência, a Justiça de São Paulo aceitou a denúncia do Ministério Público (MP) contra quatro homens acusados de planejar e executar ataques à jornalista. O grupo virou réu pelos crimes de racismo, injúria, falsidade ideológica, corrupção de menores e associação criminosa na internet.

Apesar do caso ter sido levado à Justiça, esses incidentes cruéis estão se tornando cada vez mais comuns. Um levantamento feito pela pesquisadora Adriana Dias, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mostrou que a cada oito segundos uma postagem em português é publicada no Twitter com palavras de ódio contra negros, judeus, nordestinos, pessoas com deficiência e LGBTI+ (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, intersexuais e demais identidades de gênero e sexualidade).

Esse tipo de postagem pode ser classificado como discurso de ódio, termo bastante debatido nos últimos anos e que pode ser caracterizado como tom ameaçador, abusivo ou preconceituoso, adotado contra um grupo determinado de
pessoas. Tais mensagens costumam estimular a violência verbal, moral e física contra segmentos sociais específicos – violência esta que é motivada por questões de gênero, raça, etnia, orientação sexual, religião ou origem nacional.

Se há racismo na sociedade, é claro que veremos racismo na internet. E em circunstâncias talvez piores, uma vez que muitos se valem do anonimato para ofende e destilar ódio nas redes. Justamente por conta dessa suposta segurança que sentem, os discursos de racistas, misóginos e xenófobos tendem a ser mais extremistas e radicais.

A impressão de que as redes sociais funcionam como espaço à parte do mundo, somada à ideia de que a liberdade de expressão garante que preconceitos sejam espalhados a torto e a direito, parecem endossar esse tipo de manifestação
odiosa no mundo virtual. Porém, a nossa Constituição é clara em assegurar a dignidade da pessoa humana como direito que não pode ser sobreposto pelo compartilhamento de opiniões e ideias que exteriorizem intolerância.

Ainda que as empresas de tecnologia estejam se responsabilizando em parte pelo que ganha visibilidade nas plataformas, excluindo conteúdos que incentivem a violência e outras condutas consideradas impróprias, a facilidade e a velocidade do compartilhamento de opiniões no meio virtual é grande demais.

Por isso, parte da solução passa obrigatoriamente pela conduta individual de cada um de nós. E é por isso que precisamos, todos e todas, de educação midiática. É necessário que crianças e jovens aprendam desde cedo a desenvolver uma leitura crítica e uma postura ética no mundo conectado, compreendendo os impactos da
tecnologia nas nossas vidas e a importância de criarmos um ambiente digital saudável.

A escola pode promover essa mudança cultural ao discutir o discurso de ódio, mostrando o quanto essa prática pode ser danosa tanto para a vítima, causando depressão, baixa autoestima e até tentativas de suicídio, quanto para o agressor, que sofrerá as punições previstas na lei.

Sugestões de atividades não faltam: efemérides como o Dia da Consciência Negra podem servir como disparadores de conversas e atividades. Além disso, posts de pessoas famosas que sofreram preconceito – como a própria jornalista Maju Coutinho – podem ser extensivamente debatidos em aulas de humanidades, como História e Sociologia.

O ódio prejudica a democracia na medida em que a incitação à violência fere a dignidade humana. Todos podem ajudar no combate às expressões odiosas ao se responsabilizarem pela linguagem que utilizam e ao impedir que essas mensagens ofensivas se disseminem. E isso começa – como quase tudo – com educação.

 

Imagem de Fábio Adônes por Pixabay

Foto de Isabella Galante

Isabella Galante

Estagiária do Palavra Aberta

Isabella Galante é estudante de jornalismo na Universidade de São Paulo (USP) e estagiária do Palavra Aberta.

Foto de Mariana Mandelli

Mariana Mandelli

Coordenadora de comunicação

Mariana Mandelli é coordenadora de comunicação do Instituto Palavra Aberta.

Voltar ao topo
FAÇA
PAR—
TE

Venha para nossa rede de educação midiática!
Fique por dentro das novidades

Receba gratuitamente nossa newsletter

Siga nossas redes sociais

Que tal usar nossa hashtag?

#educamidia