Não seria exagero exagero afirmar que 2025 foi o ano da educação midiática, ao menos no Brasil. Desde que o tema passou a ganhar mais atenção por aqui, especialmente por conta do trabalho pioneiro de organizações não governamentais como o Instituto Palavra Aberta, nunca observamos tantos avanços regulatórios em um mesmo período.
Tais avanços são advindos tanto de discussões preexistentes em órgãos federais e na agenda do Legislativo como de pautas que emergiram e permearam o debate público ao longo dos últimos meses.
Abaixo, selecionamos alguns dos momentos mais importantes de 2025 que destacam a relevância da educação midiática.
Lei 15.100/2025: logo na primeira quinzena do ano, foi sancionada a lei que restringe o uso de celulares em todas as escolas do País. A regra foi um avanço importante no que tange à concentração e à saúde mental de crianças e adolescentes, mas precisava ser acompanhada de orientações curriculares de educação digital e midiática para preparar a população em idade escolar para o uso pedagógico desses equipamentos, o que de fato aconteceu ainda em março.
Diretrizes curriculares: em 2025, o Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou Diretrizes Operacionais Nacionais sobre a integração da educação digital e midiática aos currículos escolares. Com a aprovação do Ministério da Educação (MEC), esse tema passa a ser obrigatório nas escolas de educação básica a partir de 2026, marcando um grande avanço.
Efeito Felca: em agosto, um vídeo do influenciador Felipe Bressanim Pereira viralizou, pautou o debate público, chegando às manchetes políticas e policiais e também ao Congresso Nacional. No vídeo, Felca, como é conhecido por seus milhões de seguidores, fez uma longa denúncia sobre adultização e sexualização de crianças e adolescentes nas redes, o que acelerou a discussão sobre o “ECA Digital” na Câmara e no Senado.
ECA Digital: a Lei 15.211/25 observa uma série de aspectos importantes com objetivo de proteger a infância e a adolescência no mundo conectado. Além de incluir a supervisão familiar, estabelecer uma autoridade nacional de fiscalização e impor regras específicas para jogos eletrônicos, também legitima a educação midiática como ferramenta importante para a proteção e autonomia das crianças e adolescentes nas redes.
IA no dia a dia: se 2024 já apontava para um uso cada vez mais disseminado da inteligência artificial generativa, 2025 foi o ano em que observamos o potencial dessa ferramenta para além de trends aparentemente inofensivas. Pesquisas como a TIC Educação apontam que sete a cada dez estudantes do ensino médio já utilizam essa ferramenta para fazer pesquisas escolares, o que exige letramento não apenas deles, mas também dos professores e das famílias. Nesse sentido, o ano também foi de ampla produção de materiais para os mais diversos públicos. O 3.º Encontro Internacional de Educação Midiática, realizado em maio pelo Palavra Aberta, destacou a educação midiática como um direito de toda a sociedade — visão que culminou com o lançamento de novos recursos para apoiar pais, mães e responsáveis e ações envolvendo o público 60+.
2026 será o ano em que algumas dessas normas públicas serão implementadas, o que exige acompanhamento da sociedade civil organizada e também da população como um todo para que a educação midiática se torne, de fato, uma prática na sala de aula e siga como elemento basilar de políticas públicas efetivas, na promoção de um ambiente informacional seguro e saudável para todos e todas.